quarta-feira, novembro 23, 2011

Não foram detectadas marcas de travagem





Éramos amigos há tantos anos. Talvez tenhamos nascido amigos mas toda essa eternidade não nos impediu de acelerar. Sei que conduzíamos já noite numa auto-estrada vazia, certos de que toda aquela velocidade era o nosso segredo mais profundo, via única libertadora de pequenas frustrações quotidianas. Esquecemos tudo, enchemo-nos de nós e, condutores inexperientes, acelerámos. O ego estrangulado pela insegurança e as condições de visibilidade deficientes não ajudaram. Chocámos com involuntária frontalidade. Não foram detectadas marcas de travagem no asfalto. Um de nós entrara em contramão naquela auto-estrada. Infelizmente só sobrou essa inútil discussão.

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