Comprar é, frequentemente, sinónimo de prazer. Comprar ou não comprar suplanta diariamente qualquer clássico dilema. Comprar passou a ser um verbo demonstrativo, fundando um novo conceito gramatical. Comprar conjuga com estatuto, com amor, com afirmação, com maledicência, com solidão, com prazer, com mania, com arrogância, com desprezo, com autismo social. Comprar não define quem somos no plural ou no singular. Comprar é somente um verbo regular tal como correr ou cair.Quinta-feira, Dezembro 17, 2009
O que compraria Jesus?
Comprar é, frequentemente, sinónimo de prazer. Comprar ou não comprar suplanta diariamente qualquer clássico dilema. Comprar passou a ser um verbo demonstrativo, fundando um novo conceito gramatical. Comprar conjuga com estatuto, com amor, com afirmação, com maledicência, com solidão, com prazer, com mania, com arrogância, com desprezo, com autismo social. Comprar não define quem somos no plural ou no singular. Comprar é somente um verbo regular tal como correr ou cair.
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Terça-feira, Dezembro 15, 2009
Contributo para a época natalícia
"If we have no peace, it is because we have forgotten that we belong to each other."Mother Teresa
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Quinta-feira, Dezembro 10, 2009
A barricada
Embora adore o Natal cada vez mais me apetece ficar barricada em casa, dias e dias a fio de leitura, televisão, pijama, soneca e olhar perdido. Falta a lareira e o cheiro a musgo.
No último fim de semana veio para o quentinho a última série da Anatomia de Grey (sou viciada!) e estes dois imperdíveis, emocionantes filmes que nos trazem coisas que devem ser lembradas. Que coisas? Ora, coisas... caramba, tenho preguiça para enumerar.

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Sexta-feira, Dezembro 04, 2009
Outro destino

O Menino Jesus, a Nossa Senhora e as Renas desapareceram de presépio em Valença. Estavam expostos numa rotunda, prontos a serem iluminados.
Há muito a especular. Rapto, sequestro ou fuga. Abandono do S. José. Indícios de violência doméstica. Revelação em breve de escutas telefónicas - não sujeitas a segredo de justiça humana ou divina - sobre os verdadeiros factos do episódio da pomba. Direito à dignidade e ao bom nome, porque é dura a exposição pública da intimidade. Indícios de co-autoria com Pai Natal (que enviou as suspeitas renas). Vingança da vaca e do burro por ousarem a sua substituição por nórdicos mamíferos. Adesão ao movimento Green Peace a caminho da Cimeira de Copenhaga. Depressão pós-parto.
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Quinta-feira, Dezembro 03, 2009
Adversário

Não sei o que de ti diga ou escreva. Não te conheço. Leio somente as historietas que te deixam publicar, há mesmo quem se arrisque a lhes chamar romances. Ficas pendurado algures entre a desastrosa teia amorosa tecida a seis, enleada naquele título mediático, e os erros históricos de uma trama epopeica de Maria perdida numa qualquer invasão francesa. Julgo conhecer-te um pouco afinal, à conta desta inútil espionagem literária. Serias ainda mais patético se frequentemente não estivéssemos, malogrados apelidos, quase sempre lado a lado nas prateleiras das livrarias.
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Algo
Leio de novo aquela secção do jornal. De novo alguém civil ou emocionalmente solitário anuncia-se para “amizade ou algo mais”. Não consigo abafar a perplexidade. Talvez por isso, em momentos de solidão civil ou emocional, nunca me anunciei num jornal. Abandonada a perplexidade, assumida a solidão sufocante pediria sempre “amizade ou algo menos”.
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Quarta-feira, Novembro 25, 2009
A objectividade da estética
É um passáro?É uma mesquita (vide minarete) com um toque kitsch?
É um carro alegórico do Carnaval de Torres?
É um barco saído de um filme tipo "Priscilla, Rainha do Deserto"?
É uma nave espacial de uma série de ficção cientifica dos anos 80?
Não, é a nova igreja de S. Francisco Xavier do arquitecto Troufa Real, avalizada pelo Patriarcado, licenciada pela CML há quatro anos, cuja construção se iniciou a semana passada.
Lisboa é realmente uma cidade surpreendente.
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Sexta-feira, Novembro 20, 2009
Reminder

Dias cheios como ontem fazem lembrar outros, aqueles em que brincava com os meus amigos de infância das férias grandes, pés na terra, debaixo de castanheiros imensos junto ao riacho. Alguns deles mudaram de aldeia ou de país, outros reproduziram-se em Rubens e Vanessas e passeiam-se em Mercedes e Audis em segunda mão, vidros esfumados, movimentos pendulares casa-hipermercado da vila, todos desapareceram. Muitas vezes quase não oiço o som do riacho nem do vento de fim de tarde nas folhas dos castanheiros. No entanto, em dias como o de ontem, os meus pés regressam à terra húmida, ecoam risos e ladainhas, banda sonora de mil brincadeiras. Está tudo ali num restaurante cosmopolita, num breve passeio na Mouraria, numa voz meiga do outro lado do telefone, num cumprimento sincero selando o fim de uma tarefa bem sucedida. Dias cheios que me relembram o quanto sou feliz.
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