segunda-feira, abril 28, 2008

quarta-feira, abril 23, 2008

Definição

Fico admirado quando alguém, por acaso e quase sempre
sem motivo, me diz que não sabe o que é o amor.
Eu sei exactamente o que é o amor. o amor é saber
que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer.
O amor é saber que vamos perdoar tudo a essa parte
de nós que não é nossa. o amor é sermos fracos.
O amor é ter medo e querer morrer.


In “A Criança Em Ruínas”, José Luís Peixoto

O pardal


Aluguei este fim-de-semana "La Vie en Rose" e fiquei estarrecida. Por tudo: pela vida da Piaf , que começou sem nada e perdeu tudo excepto a sua capacidade de amar, pelo tempo que corre nesta narrativa, os pontos que ligam a vida e a morte, a felicidade e a dor, pela Marion Cottillard que não sei de onde apareceu para ganhar todos os prémios. Quanto a este filme vos digo mesmo que “je ne regrette rien…”.

segunda-feira, abril 14, 2008

A citação

Pela manhã ouvi logo, num discurso elaborado, uma série de alarvidades sustentadas em argumentos que poderiam fazer corar de vergonha qualquer amiba - chamemos-lhe efeito MM, que até está a ser julgado e tudo...
Como protesto aqui fica uma citação do sábio (?!!!!) presidente Lula que ainda deixará como legado ao mundo, no mínimo, um livro de aforismos.

quinta-feira, abril 10, 2008

Acordamos


Acordamos e temos trinta e tal, e muitos. Rumamos, numa carrinha, último modelo, ao monte de um colega de trabalho ou de um “casal amigo” no Alentejo. É o tempo das carrinhas familiares, dos “casais amigos”, dos filhos pequenos e barulhentos, das mulheres já com algumas enxaquecas. Ao volante olhamos de esguelha para a barriguinha e pomos os óculos escuros, de marca, que tudo disfarçam, até a careca. Há choros e gritos no banco traseiro. Há choros e gritos no quarto ao lado, no berço ali ao fundo. Na cama há um silêncio sepulcral interrompido pelo avisos clássicos do “estás a ressonar” e do “chega-te um bocadinho para lá”. Vamos então na carrinha, último modelo, no DVD o Noddy e no rádio, muito baixinho, os violinos de Mozart que há dez anos atrás eram ouvidos em stereo. Chegámos, fomos os últimos, a culpa não é da carrinha, último modelo, a culpa é dela que não se despacha porque as sandálias têm de condizer com o cinto e com o carrinho da mais nova. Para mim qualquer camisa que se veja a marca está boa. Chegámos então. Aos trinta e tal, trinta e muitos. Chegámos à casa de fim-de-semana dos colegas de trabalho, dos “casais amigos”. Lá estavam eles, os amigos, os casais amigos, os casais amigos dos casais amigos. Alguns indolentes no alpendre olhavam o verde, faziam as contas de quanto teria custado aquele sofá de exterior, estrutura em teka. Outros preparavam a mesa com o que trouxeram das respectivas lojas gourmet mais próximas. Dois deles tinham uma camisa de marca igual à minha o que me trouxe algum conforto. Deliciámo-nos com a remodelação do monte, com conjunto de teka e com petisco gourmet. Comparámos os empregos, os filhos, as mulheres, as roupas, os restaurantes, as férias, os metros quadrados dos apartamentos. Comparámos ainda as festas de casamento, os automóveis, discutimos hidromassagens, empregadas, spas, ginásios, melhores sítios para fazer festas de aniversário de criança. Respirámos fundo porque os pratos não eram de plástico e elas tiveram de ir lavar e arrumar tudo. Ficámos, como os nossos pais, como os nossos avós, com tempo livre delas e elas com tempo livre de nós. Por esta altura, quase ao pôr-do-sol, com o barulho de fundo das crianças entrámos em confidências, medimos virilidades, trocámos dicas, prometemos favores. Despedimo-nos efusivamente. Combinámos outros petiscos, fins-de-semana, viagens, até golf.
Acordamos e temos trinta e tal, e muitos. Rumamos numa carrinha, último modelo, a nossa casa, quase em Lisboa, num condomínio privado, piscina e ginásio, dois lugares de garagem, excelentes acabamentos. No caminho destilamos, sem querer, o fel de sermos o oposto do que nos prometemos há quinze anos atrás. Adormecemos as crianças, adormecemos no respectivo lado da cama e sonhamos que não temos trinta e tal, e muitos, que não temos carrinhas último modelo, nem casas em condomínios, nem Visas gold, cremes adelgaçantes ou camisas de marca. Descalços na margem de um riacho, trocamos promessas de amor eterno e respiramos cada verso lido em voz alta.


Baseado na crónica do José Luís Peixoto
Hoje, na revista Visão

segunda-feira, abril 07, 2008

Povo que TE lavas no rio


Começou a época SOS nariz. Andar nos transportes públicos de Abril a Outubro é um inferno para o olfacto. Meu povo, há água corrente nesta cidade, há muitos estendais para arejar as vestes diárias, muito parapeito para pôr os ténis com chulé, muito balneário público, muita fonte de água fresquinha. A bem da sanidade olfactiva dos lavadinhos desta Lisboa.

sexta-feira, abril 04, 2008

Como lá diz o princípio básico da Psicologia:

Só devemos falar com os outros na linguagem que eles entendem.

E, pelo que encontrei numa encomenda que recebi hoje, há quem já tenha descoberto a que eu falo fluentemente...
(não percebi a validade da campanha mas temos de falar sobre o assunto).

Em Veneza descobri...


os clássicos....



os pops...
os deliciosos...



e até mesmo os selvagens (falo do gato e não dos espargos, enfim)...