terça-feira, julho 31, 2012
sexta-feira, julho 27, 2012
Planos partilhados
No verão os fins de semana são uma espécie de férias de 5 em 5 dias.
Partilho assim os meus planos já para as próximas férias:
tudo intercalado pela imensa felicidade de poder recomeçar as leituras em atraso e pela esperança de conseguir mergulhar no mar matinal ainda vazio de cardumes de pessoas.
quinta-feira, julho 26, 2012
Matiné clandestina
Ontem, numa matiné clandestina, descobri uma história de amor entre dois pré adolescentes - uma espécie de instagram romantico semi absurdo, isento de artificios - que ofusca Bill Murray, Edward Norton e Bruce Willis.
terça-feira, julho 24, 2012
sexta-feira, julho 20, 2012
Coerência no mundo real
Hoje pela manhã descobri que o meu único colega assumidamente gay fabrica, nos tempos livres, sabonetes artesanais.
quinta-feira, julho 19, 2012
O poder que a beleza não tem
Quantas vezes ouvi o meu pai dizer:
não escolhas muito a roupa com que sais.
A bala que contorna a esquina
não se intimida com a beleza.
Vasco Gato in Resumo - a poesia em 2011; ed. Documenta, 2012
terça-feira, julho 17, 2012
Outra lição (porque o Saber não ocupa lugar)
'Cérebros' mantêm-se em Portugal
Dois breves comentários ao som desta inspiradora banda sonora:
1) Atentem no raciocínio brilhante e complexo da Secretária de Estado. Realmente, como se tem vindo a provar, não brincamos quando tarefa é recrutar pessoas para o Governo;
2) Não é por acaso que o prémio Nobel da Medicina atribuido a Portugal resultou, sinteticamente, do aperfeiçoamento da técnica da lobotomia. Nisso sempre fomos bons.
segunda-feira, julho 16, 2012
Estas pessoas são o chão
Pão
Há pessoas que amam
com os dedos todos sobre a mesa.
Aquecem o pão com o suor do rosto
e quando as perdemos estão sempre
ao nosso lado.
Por enquanto não nos tocam:
a lua encontra o pão caiado que comemos
enquanto o riso das promessas destila
na solidão da erva.
Estas pessoas são o chão
onde erguemos o sol que nos falhou os dedos
e pôs um fruto negro no lugar do coração.
Estas pessoas são o chão
que não precisa de voar.
Rui Costa in A nuvem prateada das pessoas graves
sexta-feira, julho 13, 2012
Acredito e evito
Se acredito na vida após a morte? Não sei nem se acredito na vida antes da morte! Acho que acredito na morte durante a vida.
Groucho Marx
segunda-feira, julho 09, 2012
You're so fucking special
A candura que encerra o desespero ou a descoberta de mais um belíssimo tom de cinzento.
sábado, julho 07, 2012
Podiamos viver sem ele mas não era a mesma coisa
Os maus hábitos alimentares do Estado. Para rir, chorar, denunciar e mandar colocar uma banda gástrica.
quarta-feira, julho 04, 2012
Orgulhosamente só
Não resisto a comentar. É demasiadamente tentador. É um exemplo de empreendedorismo e de como estar empregado com um determinado grau de empenho não permite estudar. Para o fazer teria de ter abandonado ora importantes cargos públicos ora dinâmicos cargos privados, responsáveis por alavancarem a economia nacional a olhos vistos. O país precisou dele durante as últimas décadas e ele, claro, homem de valores alicerçados no bem colectivo, não virou as costas à sua pátria. No ano em que entra em vigor uma lei de oportunidades (2006), inscreve-se, por fim e com grande sacrifício pessoal, numa das melhores universidades do país, numa licenciatura intelectualmente exigente que, no ano seguinte, termina com uma nota modesta, não humilhando, desta forma, os seus colegas. Depois, qual sobredotado, toma o mundo nos braços e fá-lo, já certificadamente, avançar. E assim se calam, em definitivo, as vozes sobre a mediocridade intelectual da maioria da nossa classe política.
segunda-feira, julho 02, 2012
Marmiteiros do mundo, uni-vos!
A logistica da marmita já foi estudada e replicada no mundo dos negócios. Jovens empreendores, mantenham-se atentos, no nosso país já há um significativo nicho de mercado.
sexta-feira, junho 29, 2012
Agora cresce uma árvore
Maria Keil
Cai a tua palavra na solidão como um ramo de oliveira
na paz. Eu não sabia
que a tua voz chegaria com as estrelas.
És o meu grito de combate
contra a morte.
Agora uma árvore cresce onde o esquecimento
fecha os olhos.
Tu.
Eduardo Cote Lamus in Um país que sonha - 100 anos de poesia colombiana, Assirio&Alvim
quarta-feira, junho 27, 2012
Sebastianismo (à) rasca
Fico sentada aqui, em casa, sentada por aí a ler e a ouvir ecos deste novo sebastianismo com nome suburbano, essa surpresa que deifica, um homem ultraperiférico pela naturalidade, pela classe social, pela linhagem. Um homem ultraperiférico que pela vontade, pelo trabalho se transforma, em quase duas décadas, no Homem Central. O que tem tudo e pode tudo, o predestinado que afastará pragas e maus-olhados marcando, sozinho, golos atrás de golos, chutando as nossas frustrações bem para o fundo da baliza, dúvidas ao poste, baixa auto estima fora de jogo. Se falhar, falha sozinho, a admissibilidade do erro humano não cabe nos super poderes atribuídos, se falhar será lembrado pela ostentação, pelo gel pastoso, pela fragilidade das relações, pela família XXL, pelo fiasco, pela traição. Ninguém tão cedo lhe segurará o manto, lhe arreará o cavalo, ninguém, tão cedo, o deixará entrar, mesmo que ele quisesse, neste denso banco de nevoeiro que é, por estes dias, o nosso pobre e alucinado país.
sexta-feira, junho 22, 2012
Resolucionário
Passeava no Chiado quando fui atraída por um enorme cartaz, que assumia exclusividade numa montra da Mac, anunciado um mesmo gadget na sua mais recente versão. Nele uma foto artística do produto e uma só palavra, Resolucionário. E ali estava eu, reflectida num vidro a pensar que é disso mesmo que precisamos: mais do que uma revolução que tente resolver, resoluções que de facto revolucionem para que retomemos de um outro ponto qualquer um percurso evolutivo por ora abandonado.
Nota: lembrei-me também que resolucionário poderia remeter, tal como oceanário, para um mar de resoluções mas antes que me afogasse em ideias idiotas agarrei-me à frescura de um outro pensamento, mesmo ao virar da esquina, no Santini.
quarta-feira, junho 20, 2012
Concretizar
O meu karma lento só permitiu que visse o último episódio do "House" ontem. Não vou dissertar sobre as oito temporadas da série - que aliás não acompanhei com euforia - ou sobre a irresistível atracção pelo abismo que me desperta a personagem central. Só uma palavra sobre o último minuto em que House e a sua alma gémea, o incrível amigo com a morte datada, iniciam de mota a concretização de um sonho com o tempo que lhes resta. Ideia simples, batida mas, insistentemente, esquecida. Sonhar acordado, concretizar “ses”, abandonar “mas”, exercer a liberdade em grande estilo ainda que só no intervalo da manhã para o café.
terça-feira, junho 19, 2012
Definitivamente, não é só uma fase
Between the optimist and the pessimist, the difference is droll. The optimist sees the doughnut, the pessimist the hole!
Oscar Wilde
quinta-feira, junho 14, 2012
que o meu pensamento caminhe

que o meu coração esteja sempre aberto às pequenas
aves que são os segredos da vida
o que quer que cantem é melhor do que conhecer
e se os homens não as ouvem são velhos
que o meu pensamento caminhe pelo faminto
e destemido e sedento e servil
e mesmo que seja domingo que eu me engane
pois sempre que os homens têm razão não são jovens
e que eu não faça nada de útil
e te ame muito mais do que verdadeiramente
nunca houve ninguém tão louco que não conseguisse
chamar a si todo o céu com um sorriso
aves que são os segredos da vida
o que quer que cantem é melhor do que conhecer
e se os homens não as ouvem são velhos
que o meu pensamento caminhe pelo faminto
e destemido e sedento e servil
e mesmo que seja domingo que eu me engane
pois sempre que os homens têm razão não são jovens
e que eu não faça nada de útil
e te ame muito mais do que verdadeiramente
nunca houve ninguém tão louco que não conseguisse
chamar a si todo o céu com um sorriso
E.E.Cummings, livrodepoemas, Assírio&Alvim
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