segunda-feira, maio 02, 2011

Bin, Bam, Bum!

Escutem - não existe nenhuma guerra que acabe com todas as guerras.


Haruki Murakami

Confirmado, não consigo dizer melhor que aqui

Recomeçar



Recomeça....
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...



Miguel Torga

domingo, maio 01, 2011

Coisas que não devemos deixar de dizer

Com a minha mãe será sempre assim.
No Ípsilon (Público) esta sexta feira numa entrevista ao Pedro Mexia:

"A minha experiência do amor é a de que é castigo e recompensa ao mesmo tempo".

quarta-feira, abril 27, 2011

Perigo: berlusconi globalizado

Finalmente percebi o sucesso "socrático" no nosso país. Tal como os italianos, que caricaturam Berlusconi mas no fundo morrem de inveja dele, deificando-o porque é rico e tem uma vida cansativa de "bunga bunga". Tal como os italianos, dizia, nós, os portugueses, olhamos para a vida de um tipo que vem de uma Câmara da Beira Alta onde avalizou construções improváveis, um tipo que se licencia numa universidade série Z a um domingo, que domina na perfeição de "Camarinha" o inglês técnico, que gasta metade do ordenado num fato Armani, que tem um apartamento num prémio Valmor ao preço da chuva, que manipula os Media na perfeição, que quando fica feliz diz "porreiro, pá", que abandona elementos da sua equipa quando já não lhe são úteis, olhamos para este tipo, recordando a escada rolante de esperteza para o sucesso, e sentimos uma vontade incontrolável de colocar uma cruz no sítio errado no boletim de voto.

sábado, abril 23, 2011

Reflexão pascal



O homem que reclama junto da CP por querer pagar um bilhete que não lhe foi cobrado é notícia. O país assente em, dizem, valores católicos convive com ligeireza com o oportunismo e a esperteza de quem chega rápido onde quer, ainda que trilhando sobre vidas alheias. Vide a biografia de muitos dos nossos actuais políticos.

O homem que reclama, que defende que não quer contribuir para o défice da CP, que se indigna pelo não cumprimento das regras justas, é notícia. É um otário, sintetizam alguns. O problema é que sem estes otários não somos um país, uma sociedade altruísta definida pela honestidade, partilha, pela cidadania activa.

As maiorias transformam-se assim, lentamente, em minorias. As elites deixam-se comprar ou fogem fingindo emigrarem, as que resistem são adormecidas ao som das vãs lutas políticas. O povo apascenta as suas pequenas dores ao sol. Os otários e o país estão em vias de extinção. Por isso somos notícia.

sábado, abril 16, 2011

Para ler à sombra

A entrevista da "Única" do Expresso desta semana com Alain de Botton, o homem que vê os aeroportos com os meus olhos, que se revitaliza sem psicanálise, partindo dos dias que todos atravessamos para dar consistência e profundidade ao pensamento.

sexta-feira, abril 15, 2011

Um poema em palco

O que acontece quando se juntam uma das nossas melhores actrizes -Maria João Luis - , uma das nossas melhores cantoras - Manuela Azevedo -, um dos nossos melhores músicos - José Peixoto - e um dos nossos melhores poetas - João Monge? Ontem, na estreia, satisfiz esta minha curiosidade: um dos nossos melhores espectáculos.

A Lua de Maria Sem, uma peça que é um poeta dito, visto, cantado. Para embalar, só até domingo no Teatro S. Luis em Lisboa

quarta-feira, abril 13, 2011

Novidades na mala

Na mala, para cá e para lá, "Menos por Menos" e "Tradutor de Chuvas", os mais recentes livros de poesia, respectivamente, do Pedro Mexia e do Mia Couto. Deixo-vos o meu poema preferido deste último.

Medos

Medo do amor quando tudo é fome.

E onde tudo é tão pouco,
medo de a carícia
despertar insuspeitos infernos.

Medo de sermos
só eu e tu a humanidade.
E morrermos de tanta eternidade




Mia Couto

terça-feira, abril 12, 2011

Ando na fase da citação...



... o que talvez fique a milhas de qualquer uma das fases freudianas, mas é o que temos.


Retirei este texto de um blog desempoeirado que frequento, umas vezes aderindo, outras resmungando, mas sempre reconhecendo que, à sua maneira, é muito bom.


Fica aqui mais uma visão enunciativa do nosso...



Portugal


"Portugal e o Euro 2004. Portugal e as Scuts. Portugal e o Magalhães. Portugal e os ordenados dos gestores. Portugal vendida como uma puta de praias paradisíacas e campos de golf. Portugal e as “novas oportunidades”. Portugal e os ídolos, as Lyonces Viiktoryas, a idolatria dos cristianos e do novo-riquismo analfabeto e com interminável tempo de antena. Portugal e os seus pequenos líderes corruptos que se rastejam nos parlamentos, autarquias, campos de futebol, platôs de televisão sem limites, sem consequências, sem castigo. Portugal e o espólio da nossa identidade, com bandeiras patrocinadas por bancos, o hino como reclame publicitário, a História como passatempo de governantes ignorantes. Portugal e os ares de superioridade, esbanjando fortunas emprestadas, desperdiçando fundos que se nos confiaram para crescer, ser melhores, estar na linha da frente. Portugal e os tratados e as cimeiras e as passadeiras vermelhas para ditadores, déspotas regionais, vilõezecos com barris de petróleo. Portugal e o envelhecimento de um interior que vai da fronteira com Espanha até às portagens da ponte 25 de Abril. Portugal e os recibos verdes e o salário mínimo e a precariedade e um carro para cada membro da família e as férias de três semanas no Algarve e os maiores centros comerciais da Europa e cartões gold e bilhetes esgotados para qualquer concerto no Pavilhão Atlântico. Portugal e os sonhos de grandeza. Portugal e o resgate".

quinta-feira, abril 07, 2011

é preciso poesia, porra!

(um pôr do sol só meu,S.Miguel, Açores, 09.2006)

Pôr do Sol na Boa-Nova


mar alma na tarde morta

que cortas dedos na luz

abro-me todo: sou porta

que só contigo transpus.

Ruy Belo

quarta-feira, abril 06, 2011

Inconformismo e Criatividade

Quis partilhar a crónica do Professor Boaventura Sousa Santos que sairá amanhã na revista Visão. Temos mesmo de (reaprender a) pensar o país.

"É hoje consensual que o capitalismo necessita de adversários credíveis que actuem como correctivos da sua tendência para a irracionalidade e para a auto-destruição, a qual lhe advém da pulsão para funcionalizar ou destruir tudo o que pode interpor-se no seu inexorável caminho para a acumulação infinita de riqueza, por mais anti-sociais e injustas que sejam as consequências. Durante o século XX esse correctivo foi a ameaça do comunismo e foi a partir dela que, na Europa, se construiu a social-democracia (o modelo social europeu e o direito laboral). Extinta essa ameaça, não foi até hoje possível construir outro adversário credível a nível global. Nos últimos trinta anos, o FMI, o Banco Mundial, as agências de rating e a desregulação dos mercados financeiros têm sido as manifestações mais agressivas da pulsão irracional do capitalismo. Têm surgido adversários credíveis a nível nacional (muitos países da América Latina) e, sempre que isso ocorre, o capitalismo recua, retoma alguma racionalidade e reorienta a sua pulsão irracional para outros espaços. Na Europa, a social-democracia começou a ruir no dia em que caiu o Muro de Berlim. Como não foi até agora possível reinventá-la, o FMI intervém hoje na Europa como em casa própria.

Poderá surgir em Portugal algum adversário credível capaz de impedir que o país seja levado à bancarrota pela irracionalidade das agências de rating apostadas em produzir a realidade que serve os interesses dos especuladores financeiros que as controlam com o objectivo de pilhar a nossa riqueza e devastar as bases da coesão social? É possível imaginar duas vias por onde pode surgir um tal adversário.

A primeira é a via institucional: líderes democraticamente eleitos reúnem o consenso das classes populares (contra os media conservadores e os economistas encartados) para praticar um acto de desobediência civil contra os credores e o FMI, aguentam a turbulência criada e relançam a economia do país com maior inclusão social. Foi isto que fez Nestor Kirchner, Presidente da Argentina, em 2003. Recusou-se a aceitar as condições de austeridade impostas pelo FMI, dispôs-se a pagar aos credores apenas um terço da dívida nominal, obteve um financiamento de três biliões de dólares da Venezuela e lançou o país num processo de crescimento anual de 8% até 2008. Foi considerado um pária pelo FMI e seus agentes. Quando morreu, em 2010, o mesmo FMI, com inaudita hipocrisia, elogiou-o pela coragem com que assumira os interesses do país e relançara a economia. Em Portugal, um país integrado na UE e com líderes treinados na ortodoxia neoliberal, não é crível que o adversário credível possa surgir por via institucional. O correctivo terá de ser europeu e Portugal perdeu a esperança de esperar por ele no momento em que o PSD, de maneira irresponsável, pôs os interesses partidários acima dos interesses do país.

A segunda via é extra-institucional e consiste na rebelião dos cidadãos inconformados com o sequestro da democracia por parte dos mercados financeiros e com a queda na miséria de quem já é pobre e na pobreza de quem era remediado. A rebelião ocorre na rua mas visa pressionar as instituições a devolver a democracia aos cidadãos. É isto que está a ocorrer na Islândia. Inconformados com a transformação da dívida de bancos privados em dívida soberana (o que aconteceu entre nós com o escandaloso resgate do BPN), os islandeses mobilizaram-se nas ruas, exigiram uma nova Constituição para defender o país contra aventureiros financeiros e convocaram um referendo em que 93% se manifestaram contra o pagamento da dívida. O parlamento procurou retomar a iniciativa política, adoçando as condições de pagamento mas os cidadãos resolveram voltar a organizar novo referendo, o qual terá lugar a 9 de Abril. Para forçar os islandeses a pagar o que não devem as agências de rating estão a usar contra eles as mesmas técnicas de terror que usam contra os portugueses.

No nosso caso é um terror preventivo dado que os portugueses ainda não se revoltaram. Alguma vez o farão?"

sábado, abril 02, 2011

Onde não chega a crise


"Pergunto-me se o amor está em crise. Se os beijos vão caindo a pique na bolsa.Se há cada vez mais mãos dadas no desemprego e se o preço dos olhares amantes também será afectado.

Parece que o número de solteiros já está a desiquilibrar a Balança Comercial e que a Dívida Pública gerada pelos divórcios é intransponível.

Contudo li em qualquer lado de referência que, segundo especialistas, a grande preocupação é a questão do romantismo.

Parece que o gap entre românticos e os não românticos vai triplicar nos próximos anos e que o romantismo médio per capita está cada vez mais detiorado. Sem falar nos empréstimos de romantismo a crédito aos filmes lamechas.

De acordo com a mesma fonte, o PIB das cartas de amor é inferior à média da U.E. e o BCE está a estudar a hipótese de empréstimo mas como não tem papel perfumado é complicado.

As pessoas acabam por buscar soluções mais económicas como conhecer pessoas e namorar pelo facebook o que, consequentemente, tem impacto bastante negativo na indústria do calçado, das floristas e dos chocolates.(...) Eu acho que o que mudou foi a taxa de câmbio do romantismo e as pessoas ainda não sabem fazer as contas. Porque romântico é comprar voos da Ryan Air para fazer surpresas à pessoa amada. É romântico dedicar videos no you tube. é romântico mandar beijinhos para a câmara web enquanto se fala pelo skype(...) É romântico ceder lugar num transporte público.

De modo que se o amor estiver em crise, eu sou apologista de um afluxo interno e externo de ternura e carinho, de divisas indivisiveis para a sua rápida recuperação. Porque, como vimos, o romantismo está em alta parecendo que não."

A. Schutz

sexta-feira, abril 01, 2011

Obrigada


"O caminho para casa de um amigo nunca é longo"

(...obrigada por teres vindo)

Provérbio dinamarquês

quinta-feira, março 31, 2011

Domingo

Impedia-te a vida, uma mulher, três filhos, um oceano, uma carreira de sucesso. Impedias-te, a tua educação vagamente católica, o olhar de reprovação da tua mãe, o medo de falhar, as saudades da vista para o mar do teu apartamento luminoso. O jogo não era bom mas no bluff és mestre. Viraste todos os impedimentos, saltaste no vazio, no silêncio da queda ouvias, pela primeira vez, o bater do coração. Acordaste sereno, sorrindo, invadido pelo cheiro provocante do pequeno almoço que te preparava. Adormeceste de novo, profundamente. Despertaste ao som de uma disputa entre os teus filhos. A tua mulher, maçada, saíra para caminhar com as amigas do condomínio. Na tua cabeça ainda e sempre o sonho ancorado em impedimentos. O teu peito permanecia silencioso. Era um domingo igual a todos, era um domingo igual a ti.

Amuo

Ando triste com o meu país. Pelo meu país. Só sabemos sonhar, escrever sonetos e fixar fronteiras. Lidamos mal com o dinheiro, com a vida farta, somos grandes e pequenos ao mesmo tempo, somos canastrões, achamos no queixume cura, tropeçamos na felicidade e caimos. Vivemos para parecer, esquecemo-nos de quem somos quase todos os dias. Unimo-nos pelo futebol, por Timor, lá longe, e pela falta de dinheiro, pelo esvaziamento das expectativas. Ou não votamos ou somos pouco criativos no voto. Toda a gente leu o Ensaio sobre a Cegueira mas esqueceram o melhor, o Ensaio sobre a Lucidez. Não somos criativos nas alternativas, estudamos para enriquecer, desdenhamos o saber perante o atalho da esperteza. Julgam-nos pelos políticos que temos e muito bem. Eles acham-nos tolos, discursam para avestruzes, lutam pelo poder que já os corrompeu, deixam que o mundo inteiro nos invada de especulações, arrasando, ainda que por momentos, o que de mais precioso temos: os nossos sonhos, os nossos sonetos, as nossas fronteiras.

terça-feira, março 29, 2011

Coisas simples que demorei a aprender

"Pain is inevitable. Suffering is optional."
Haruki Murakami

quarta-feira, março 23, 2011

Success

Success is a great deodorant. It takes away all your past smells.
Elizabeth Taylor

Zarpar

Pela manhã ouvia um relato-síntese dos jornais alemães de hoje acerca da situação do nosso país. Apontavam a falta de formação/escolaridade dos portugueses (a começar pela do primeiro Ministro, acrescento) como principal razão para fraca capacidade concorrencial, espantavam-se como Portugal, após 25 anos de UE, ainda não conseguira solidificar a sua economia.
A parte boa é que os alemães desconhecem a nossa história, há mais de quinhentos anos que andamos nisto, falimos sete vezes desde então e não nos chegou explorar todas as riquezas do mundo para nos alicerçarmos.
Agora zarpamos de novo. No cimo da colina os velhos do Restelo saíram da toca e, num magistral arrobo de última hora, alertam para os perigos desta crise. Dentro da nau só cabem os clarividentes, os instruidos, os esforçados, os honestos e os que já não aguentavam mais viver em casa dos pais. Todos, mais ou menos à rasca, vamos desenrascar-nos com biscoitos e esperar que o escorbuto não chegue. Todos sabemos que o mar é duro, quase intransponível, que as noites são longas e os juros são altos. Resta-nos trocar impressões sobre tudo o que lemos até agora, contar as estrelas e ter esperança que existe ainda um novo continente por descobrir.

segunda-feira, março 21, 2011

Perigeu

Estavas brilhante como sempre mas mais próximo que nunca.

Perigeu é o ponto mais próximo da órbita de um astro, ou nave, que gire em torno da Terra

Bem aventurados os que blasfemam


Um amigo brasileiro, que se dedica ao estudo destas coisas, enviou-me a seguinte lista que não posso deixar de partilhar com vocês (bold meu):


LISTA DE IGREJAS ABERTAS NO BRASIL EM 2010 (até Setembro)
- Igreja da Água Abençoada - Igreja Adventista da Sétima Reforma Divina - Igreja da Bênção Mundial Fogo de Poder - Congregação Anti-Blasfêmias - Igreja Chave do Éden - Igreja Evangélica de Abominação à Vida Torta - Igreja Batista Incêndio de Bênçãos - Igreja Batista Ô Glória! - Congregação Pass o para o Futuro - Igreja Explosão da Fé - Igreja Pedra Viva - Comunidade do Coração Reciclado - Igreja Evangélica Missão Celestial Pentecostal - Cruzada de Emoções - Igreja C.R.B. (Cortina Repleta de Bênçãos) - Congregação Plena Paz Amando a Todos - Igreja A Fé de Gideão - Igreja Aceita a Jesus - Igreja Pentecostal Jesus Nasceu em Belém - Igreja Evangélica Pentecostal Labareda de Fogo - Congregação J. A. T. (Jesus Ama a Todos) - Igreja Evangélica Pentecostal a Última Embarcação Para Cristo - Igreja Pentecostal Uma Porta para a Salvação - Comunidade Arqueiros de Cristo - Igreja Automotiva do Fogo Sagrado - Igreja Batista A Paz do Senhor e Anti-Globo - Assembléia de Deus do Pai, do Filho e do Espírito Santo - Igreja Palma da Mão de Cristo - Igreja Menina dos Olhos de Deus - Igreja Pentecostal Vale de Bênçãos - Associação Evangélica Fiel Até Debaixo DÁgua - Igreja Batista Ponte para o Céu - Igreja Pentecostal do Fogo Azul - Comunidade Evangélica Shalom Adonai, Cristo! - Igreja da Cruz Erguida para o Bem das Almas - Cruzada Evangélica do Pastor Waldevino Coelho, a Sumidade - Igreja Filho do Varão - Igreja da Oração Eficiente - Igreja da Pomba Branca - Igreja Socorista Evangélica - Igreja A de Amor - Cruzada do Poder Pleno e Misterioso - Igreja do Amor Maior que Outra Força - Igreja Dekanthalabassi - Igreja dos Bons Artifícios - Igreja Cristo é Show - Igreja dos Habitantes de Dabir - Igreja Eu Sou a Porta - Cruzada Evangélica do Ministério de Jeová, Deus do Fogo - Igreja da Bênção Mundial - Igreja das Sete Trombetas do Apocalipse - Igreja Barco da Salvação - Igreja Pentecostal do Pastor Sassá - Igreja Sinais e Prodígios - Igreja de Deus da Profecia no Brasil e América do Sul - Igreja do Manto Branco - Igreja Caverna de Adulão - Igreja Este Brasil é Adventista - Igreja E..T.Q.B (Eu Também Quero a Bênção) - Igreja Evangélica Florzinha de Jesus - Igreja Cenáculo de Oração Jesus Está Voltando - Ministério Eis-me Aqui - Igreja Evangélica Pentecostal Creio Eu na Bíblia - Igreja Evangélica A Última Trombeta Soará - Igreja de Deus Assembléia dos Anciãos - Igreja Evangélica Facho de Luz - Igreja Batista Renovada Lugar Forte - Igreja Atual dos Últimos Dias - Igreja Jesus Está Voltando, Prepara-te - Ministério Apascenta as Minhas Ovelhas - Igreja Evangélica Bola de Neve - Igreja Evangélica Adão é o Homem - Igreja Evangélica Batista Barranco Sagrado - Ministério Maravilhas de Deus - Igreja Evangélica Fonte de Milagres - Comunidade Porta das Ovelhas - Igreja Pentecostal Jesus Vem, Você Fica - Igreja Evangélica Pentecostal Cuspe de Cristo - Igreja Evangélica Luz no Escuro - Igreja Evangélica O Senhor Vem no Fim - Igreja Pentecostal Planeta Cristo - Igreja Evangélica dos Hinos Maravilhosos - Igreja Evangélica Pentecostal da Bênção Ininterrupta - Assembleia de Deus Batista A Cobrinha de Moisés - Assembléia de Deus Fonte Santa em Biscoitão- Igreija Evangélica Muçulmana Javé é Pai - Igreja Abre-te-Sésamo - Igreja Assembléia de Deus Adventista Romaria do Povo de Deus - Igreja Bailarinas da Valsa Divina - Igreja Batista Floresta Encantada - Igreja da Bênção Mundial Pegando Fogo do Poder - Igreja do Louvre - Igreja Evangélica Batalha dos Deuses - Igreja Evangélica do Pastor Paulo Andrade, O Homem que Vive sem Pecados - Igreja Evangélica Idolatria ao Deus Maior - Igreja MTV, Manto da Ternura em Vida - Igreja Pentecostal Marilyn Monroe - Igreja Quadrangular O Mundo É Redondo - Igreja Pentecostal Trombeta de Deus (Samambaia -DF) - Igreja Pentecostal Alarido de Deus (Anápolis -GO) - Igreja pentecostal Esconderijo do Altíssimo (Anápolis -GO) - Igreja Batista Coluna de Fogo (Belo Horizonte -MG) - Igreja de Deus que se Reúne nas Casas (Itaúna -MG) - Igreja Evangélica Pentecostal a Volta do Grande Rei(Poços de Caldas-MG) - Igreja Evangélica Pentecostal Creio Eu na Bíblia (Uberlândia -MG) - Igreja Evangélica a Última Trombeta Soará (Contagem -MG) - Igreja Evangélica Pentecostal Sinal da Volta de Cristo (Três Lagoas -MS) - Igreja Evangélica Assembléia dos Primogênitos (João Pessoa -PB) - Ministério Favos de Mel (Rio de Janeiro -RJ) - Assembléia de Deus com Doutrinas e sem Costumes (Rio de Janeiro -RJ)

terça-feira, março 15, 2011

é do outro lado do Mundo...

... mas é no Mundo.


Imaginem-se em 1755, observando da colina de Campo de Ourique onde a água do tsunami após o grande terramoto de Lisboa, chegou, como afirma ainda hoje o povo, rés-vés. Por estes dias, ao ver as imagens da catástrofe japonesa, fiz a pior viagem no tempo da minha vida.

sábado, março 12, 2011

Eu Vivo A Sorrir


Há coisas que nunca mudam. A doçura da sua música é uma delas.
Vivo a sorrir é a primeira faixa do seu último trabalho e para mim lema de vida adoptado e praticado:
" vai que me espera com boas notícias o inesperado".

quarta-feira, março 09, 2011

10 anos, 10 minutos


Depois de dez anos e de dez minutos de conversa, ele diz-me, surpreendido, que estou igual. Não lhe posso dizer que não é verdade, seria explicar-lhe percursos sinuosos cá dentro e para isso gastaria, previamente, fortunas em psicoterapia. Então sorrio, mostrando, orgulhosa, recentes rugas de expressão. Tomo a afirmação como um cumprimento e agradeço não podendo, contudo – porque sabemos, há coisas que nunca mudam – retribuir.

terça-feira, março 08, 2011

Razões

43 mulheres mortas em Portugal durante 2010, fruto de violência doméstica. A cobardia é uma das múltiplas razões porque ainda é preciso comemorar anualmente o dia da Mulher.

segunda-feira, março 07, 2011

árvores de sonho

ando a sonhar mais do que o habitual. Agora também com o próximo destino de férias.

domingo, fevereiro 27, 2011

Ondas


Nestes dias de boas e intermináveis conversas à beira Mondego, de algumas insónias saudáveis e de novas (e muitas) sinapses deixo-vos a banda sonora que me acompanha.

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Bizarrias


Caros leitores,
Preocupo-me com vocês. Com os que estão na fila da Segurança Social, com os que conhecem todas as cadeiras do Centro de Emprego, com os que morrem de tédio no gabinete forrado a pau preto do Brasil, com os que se afundam em pilhas de papeis, com os aquecedores profissionais debiberons ou com os que teclam incessantemente durante oito horas. Se estão deprimidos e querem mudar de vida eis uma oportunidade única. Se obtiverem um bom aproveitamento dá direito a uma digressão mundial (é a globalização) e bonés cheios de moedinhas(é o capitalismo).

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Trinta anos depois

Ontem voltei ao teatro D.Maria II para ver o Azul Longe nas Colinas. Já conhecia o autor do texto,D. Potter (penso que não aparentado com o H.Potter, embora saiba também fazer magia com as palavras), mas confesso que fiquei surpreendida pela simplicidade, pela interpretação, pela encenação. No caminho para casa, cansada mas reconfortada, fui pensando no momento em que perdi a minha ingenuidade (não o consegui localizar... assustador) e nos dias da minha vida que vão correndo, recheados de momentos não muito diferentes do recreio do colégio que frequentei na primeira classe: as Anas (Sofia e Rita) nunca me queriam emprestar as bonecas loiras e sorridentes e os mil acessórios só porque eu era a melhor aluna da turma e jogava, na perfeição, ao berlinde com o André Pina.

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

(à)Rasca

Ontem, de novo, televisão. Na SiC via o especial sobre a Geração à Rasca. A minha, denominada carinhosamente Rasca, ficou atenta. Nada a criticar no todo, embora a publicidade ao Instituto Superior Técnico em Lisboa fosse um tudo nada exacerbada dada a importância do assunto analisado. Contudo, fiquei boquiaberta quando uma jovem de Vila Real, nos seus 20 e poucos anos, cortava frango ferozmente na cozinha de sua mãe e vociferava contra a falta de emprego desde o momento que acabou o seu curso de Tecnologias da Comunicação, em Outubro passado: “Andamos nós a matar a cabeça durante três anos para depois não termos oportunidades”. A angústia que causa a incerteza é tramada, todos sabemos ciclicamente disso. Mas, jovemàrasca, não digas assim, cheia de raiva, que mataste neurónios durante aqueles poucos anos (ai Bolonha, bela cidade!) a aprenderes coisas eventualmente relacionadas com tecnologia. Matar seria não teres tido a oportunidade de estudar e quereres muito fazê-lo, matar é repetir sem pensar frases de senso comum, matar é cortares o frango com toda a tua ira, matar é a decoração da cozinha da tua mãe (já agora). *
Jovensàrasca, este país não é para velhos nem para novos. É para os instalados (e contra eles nada podemos fazer, somente ansiar pela sua reforma - e pagá-la), para os esforçados (criativos trabalhadores que não se deixam cilindrar pelo absurdo diário) e para aqueles que sabem que matar a cabeça é antes ficar à espera, inamovíveis, que a vida lhes aconteça.
*Jovemàrasca, um conselho, uma ideia: que tal pegares nos teus conhecimentos de tecnologia de comunicação e nos teus outros de gastronomia regional transmontana e fazeres um site delicioso de culinária? Deixa crescer o cabelo, põe lentes de contacto, exercita a parte do cérebro que sobreviveu ao triénio académico e quiçá não puderás ser a nossa Nigella.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Vers(o)us


Uma noite de profunda insónia, daquelas que, na minha sonolenta vida, só acontecem de dez em dez anos, permitiu mil trabalhos: navegar, ler e reler, estudar e descobrir a programação nocturna da SIC Notícias (já que da diurna só sei de noticias e mais notícias e mais opinião pública e privada e mais notícias).
Num spot fantástico sobre a actividade jornalística do Canal no mundo, em voz off, o poema do grande Oswaldo carioca que me deixa sem palavras (vide post anterior).
Lá para as 4 da manhã uma inquietante reportagem intitulada Israel vs Israel (se puderem vejam, passará repetidamente a semana inteira). Fala de judeus israelitas que ousaram pensar as pessoas e secundarizar a terra e as palavras de Deus das quais, porque lidas pelos Homens, brotam rios de sangue. A coragem de pensar num território onde nada é racional. Aprendi muito, esbateu alguns dos meus preconceitos. Porque a realidade dura, infame, injusta também pode ser versos reescritos todos os dias.

Metade


Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito, a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que amo seja pra sempre amada mesmo que distante
Porque metade de mim é partida, a outra metade é saudade.
Que as palavras que falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço, a outra metade é o que calo.
Que a minha vontade de ir embora se transforme na calma e paz que mereço
Que a tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso, a outra metade um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
E o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso que me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria pra me fazer aquietar o espírito
E que o seu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo, a outra metade é cansaço.
Que a arte me aponte uma resposta mesmo que ela mesma não saiba
E que ninguém a tente complicar, pois é preciso simplicidade para fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia a outra metade é canção.
Que a minha loucura seja perdoada porque metade de mim é amor
e a outra metade também.


Oswaldo Montenegro

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Labirinto

Há dias, como o de hoje, que saímos doridos de labirintos inconsistentes em que julgámos nunca ter entrado. Resta reaprender a caminhar em linha recta, planície afora.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Há dias em que acordamos nos anos 70

Hoje é o dia. Vai o Tokalon Placenta (?!) para sermos responsavelmente?

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Entrar

A porta fechou-se logo atrás de ti. Eu fiquei de janelas trancadas e tapete desalinhado por teres arrastado desastradamente a mala. Não era por aqui que queria começar, embora possa ser o melhor dos começos. Queria escrever sobre portas, trancadas, abertas, perras, escancaradas, arrombadas e sobre malas que se arrastam na ligeireza dos caminhos que percorremos. Entramos e saímos sempre pela porta e com coisas, por vezes tantas, atrás, aos ombros, ao colo. Depois de pensar nisto passei a escolher janelas que me deixam entrar de mãos vazias. Sentada no parapeito ensolarado consigo abraçar-nos sem preocupações, com vista desafogada para amanhã. Nunca mais vi um tapete desalinhado.

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Uma anedota de ditador

"Hosni Mubarak foi falar às crianças de uma escola primária e, depois do seu discurso, ofereceu-se para um período de perguntas.
Um rapazinho chamado Ramy levantou a mão e o Presidente egípcio interpelou-o:
- O que queres saber?
Ramy disse:
- Tenho quatro perguntas. Primeira: por que é que o senhor é Presidente há 29 anos? Segunda: por que é que nunca nomeou um vice-presidente? Terceira: por que é que os seus dois filhos, Gamal e Alaa, controlam a economia e a política do país? Quarta: por que é que o Egipto é um Estado miseravelmente pobre e o senhor não faz nada?
Nesse preciso momento, a campainha tocou e Mubarak informou as crianças que voltaria depois do intervalo.
No regresso, retomou a conversa:
-Ok, em ponto estávamos? Ah, já sei... Na sessão de perguntas. Alguém quer perguntar alguma coisa?
Um outro rapazinho levantou a mão. Mubarak apontou para ele e pediu-lhe que se identificasse.
- Eu sou Tamer, respondeu o menino.
- E qual é a tua pergunta, Tamer?
- Eu tenho seis perguntas. Primeira: por que é que o senhor é Presidente há 29 anos? Segunda: por que é que nunca nomeou um vice-presidente?Terceira: por que é que os seus dois filho, Gamal e Alaa, controlam a economia e política do país? Quarta: por que é que o Egipto é um Estado miseravelmente pobre e o senhor não faz nada? Quinta: por que é que a campainha tocou para intervalo 20 minutos antes do que é habitual? Sexta: o que é que o senhor fez ao Ramy?

Esta velha anedota, sussurrada entre portas e relembrada por Issandr El Amarani no seu blogue The Arabist, exprime bem algumas das razões que levaram os egípcios a perder o medo e a reclamar, não em segredo mas nas ruas, o fim de um regime ditatorial em vigor há quase três décadas."


No jornal Público de ontem, ilustrando a revolta no Egípto.

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Pequenas injustiças do mundo burguês

Os bancos são vermelhos, enormes, quatro, logo à entrada. Entendemos todos que deve ser assim. Por isso ninguém arranca a sinalética ou rasga os estofos. Contudo parte de nós, cansados da vida, dos outros e sobretudo dos que já viveram muito, dos que vivem mal ou dos que são, por nove meses, dois em um, aproveitam a cómoda oportunidade transformando aqueles bancos, enormes, numa passadeira vermelha para que desfilem, entre paragens urbanas, todo o seu egoísmo.

sábado, janeiro 29, 2011

poema das árvores e da aprendizagem

tudo o que as árvores fazem é pensar. ficam generosas à espera de chegar a uma conclusão. e se morrem, não é absoluto que tenham tido resposta. deram sombra, pássaro, fruto e vento, mas podem partir quietas, como quem tomba para dentro de si mesmo, com a felicidade pelo que já passou e nenhuma mágoa, só a aceitação sábia do tempo.


valter hugo mãe
in Contabilidade

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Relativo Absoluto Sintético

(aviso que, levado em conta, pouparia inúmeras presunções, considerações e constatações classificadas ruidosamente como egoinúteis).

segunda-feira, janeiro 24, 2011

1/8C+(D-d) 3/8xTI MxNA

Talvez não seja o pior dia do ano, contudo não será certamente o melhor.

quarta-feira, janeiro 19, 2011

The Girl Effect: The Clock is Ticking



Uma rapariga. A realidade. Uma vida. Uma ideia. Todo o mundo.

terça-feira, janeiro 18, 2011

Sacode as Nuvens

Sacode as nuvens que te poisam nos cabelos,
Sacode as aves que te levam o olhar.
Sacode os sonhos mais pesados do que as pedras.

Porque eu cheguei e é tempo de me veres,
Mesmo que os meus gestos te trespassem
De solidão e tu caias em poeira,
Mesmo que a minha voz queime o ar que respiras
E os teus olhos nunca mais possam olhar.


Sophia de Mello Breyner

quinta-feira, janeiro 13, 2011

não há Direito

O que se comenta nos transportes públicos nacionais por estes dias? Uma pista: não é a crise nacional. Já ouvi de tudo, porque o povo é sereno mas não é sensato, ladeado por espectros pessoais e deturpações biblicas que asfixiam a razão. E diziam dois "sábios" anciãos que conversavam discretamente sobre o assunto sem pronunciarem algumas palavras, aquelas que os ferem, as que fingem não saber quais são: "Coitado do rapaz, na flor da vida... Não há direito!" E não há mesmo Direito. Eu não diria melhor.

terça-feira, janeiro 11, 2011

Diametralmente


Eu e o país andamos em fases diametralmente opostas, exceptuando talvez na área financeira com uma acrescida dificuldade da minha parte por não ter a oportunidade de aceder ao fundo europeu de apoio financeiro e posteriormente ao FMI. Quero dizer com isto que 2011 começou confuso para Portugal, totalmente claro para mim. Uma semana de férias, caixotes e caixotes arrumados nos novos armários, uma casa inteira para organizar, aniversário e trabalho académico pelo meio, fizeram de mim a mulher mais metódica e produtiva de Portugal (uma espécie de relógio suíço alfacinha). E talvez também a mulher que mais horas assistiu à TV, desde a fantástica Nigella passando por mil debates, mais ou menos exaltados/idiotas, a umas séries maravilhosas. Mãos destruídas por acartar todas as bugigangas e pelo zapping constante resolvi parar um pouco e pensar nesta cacofonia de “experts e opinion makers” que nos assalta. Quase ninguém analisa nada, olham para o umbigo, insistem em não sair da redoma de preconceitos, defendem interesses, em última instância, económicos. Temos uma campanha eleitoral, um homicídio escandaloso, o melhor treinador de futebol do mundo, um governo que vive de aparências, um recibo de vencimentos angustiante, um pezinho a resvalar no precipício. Temos bom vinho embora seja um luxo bebermos as quantidades diárias de que precisamos para sobreviver. Temos também um clima óptimo. Pena que tenha chovido tanto ultimamente.

quinta-feira, dezembro 30, 2010

2011

As minhas intenções de escrever aqui nestas duas semanas têm sido ultrapassadas pelos acontecimentos da vida. Trabalho de final de ano, obras, mudanças, uma festazinha aqui, um jantarinho ali, leituras obrigatórias do doutoramento, idas ao dentista (que afectam o espirito critico e capacidade criativa de qualquer um)...
2010 foi um ano de grandes transformações do direito e do avesso. Algumas sobram para 2011. Sobra ainda muita esperança para este novo ciclo e um beijo enorme para cada um que, depois destes anos, ainda tem coragem de me ler (vão-se tratar!).

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Natal


Acordei e é de novo Natal. Repetir rituais, sentir um aconchego imenso no meio de todo este frio. A quem passa por aqui : um verdadeiro Natal, ofereçam sorrisos e tempo aos outros.
Podia falar já em 2011 mas até lá ainda tenho muito para escrever!

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Coimbra

Vejo-me de novo em viagens pendulares semanais. Por essa razão redescobri Coimbra. Abandonei a ideia há muitos anos, mal catalogada, numa prateleira de sítios sem particular interesse. Depois de atravessar várias vezes o Arco da Almedina e vaguear colina abaixo colina acima vejo-me obrigada a rever a minha maneira expedita de catalogar lugares. Não é cosmopolita, nem glamourosa, nem presta uma oferta cultural muito além do imenso e intenso círculo universitário. Tem talvez demasiados shoppings, edifícios irreflectidos ou pontes ficcionadas. Talvez esteja demasiado dependente de interesses imobiliários e da elite intelectual que a coroa, dinamiza, projecta. Talvez os pés se arrastem pelo seu passado, tropeçando aqui ou ali no peso de uma história conservadora e revolucionária. Talvez o fado a entristeça e enterneça. Talvez os pastéis a engordem. Mas há qualquer coisa naquelas colinas, na serenidade do Mondego - mesmo quando reclama invasões - no choupal adormecido, no meu trisavô Boaventura, na maneira graciosa de pronunciarem as palavras… Há qualquer coisa ali, naquela cidade, que sussurra baixinho o quanto eu lhe pertenço.

Reminder (again)


segunda-feira, dezembro 06, 2010

And now for something completely real

Lia Ulrich Beck e caía aos trambolhões na realidade:

“Quanta pobreza pode suportar a democracia?”
"Eis a questão: o Estado é neoliberal com os pobres e socialista-protector com os ricos".

Meia dorida, e para descomprir, fui comprar presentes de Natal para as crianças.

segunda-feira, novembro 29, 2010

é o destino


Nesta estrada preta rolando, luzes e luzes de moldura, uns dormindo outros falando de banalidades com quem os espera, outros ainda alienados do mundo ou de si, não dá para averiguar. Outros ainda, eu, a pensar por onde andarás. Imagino-te num automóvel, despenteado, a meio de uma discussão definitiva, daquelas que nos empurram dilacerados para a frente. Imagino-te na varanda, enrolado numa manta que te vou oferecer, ignoras a temperatura nórdica de Genebra e, sem saber, fazes um cheque-mate a tudo o que não conseguias, até ali, dominar. Imagino-te a caminhar, pelos Pirenéus ou pelo bairro, sem cão, só a caminhar à procura de um pretexto. Caminhas por aí preocupado, livre, descontraído, assustado. Imagino-te a escolher um caminho, entrares naquela rua estreita de Amesterdão, cheia de pequenas lojas, onde vais descobrir inesperados presentes para os que amas. Experimentas uns sapatos que te fazem desistir da ideia de alugar uma bicicleta, as alterações de planos são o teu forte. Agora sei-te numa secretária, cumprimentas com simpatia e timidez, habilidoso a esconder o que importa. Tens uma vista e um gabinete onde não cabe nenhuma das tuas ideias, um pequeno aquário que te liberta da claustrofobia, nenhuma gaveta trancada. Imagino-te temendo o tempo porque ainda não me encontraste, não te podes enrolar na manta nem fazer cheque-mate, nem pedires que embrulhem aquele livro raríssimo descoberto na rua estreita e que tanto quero ler. Meu amor, o tempo urge, bem sei, mas descansa, o nosso é já amanhã, hoje estou por aqui nesta estrada, a meio da noite, novamente a imaginar-te e isso deve querer dizer alguma coisa.

terça-feira, novembro 23, 2010

80 anos dele

As Musas Cegas
(...)
Há gente assim, tão pura. Recolhe-se com a candeia
de uma pessoa. Pensa, esgota-se, nutre-se
desse quente silêncio.
Há gente que se apossa da loucura, e morre, e vive.
Depois levanta-se com os olhos imensos
e incendeia as casas, grita abertamente as giestas,
aniquila o mundo com o seu silêncio apaixonado.
Amam-me; multiplicam-me.
Só assim eu sou eterno.


Herberto Hélder