sexta-feira, setembro 24, 2010

Meu nome é DuBois, Blanche DuBois

A ida ao teatro D. Maria II para apanhar “O Eléctrico chamado Desejo” é uma aventura. Muito boa, por sinal. Faz-se cada vez melhor teatro em Portugal, sem bocejos, arrependimentos ou reviravoltas na cadeira. A Alexandra Lencastre das revistas cor-de-rosa e das novelas da TVI desapareceu, (re)surgiu a excelente actriz, sem inseguranças, com humor. Ela é a Blanche da magia e não da realidade, mostrando-se infeliz, felina, corrosiva, dependendo sempre “da bondade de estranhos”.
Encenar textos apaixonantes, amados pelo público, dirigir óptimos actores (a surpresa de Lúcia Moniz) e criativos (excelente cenografia e guarda roupa) é finalmente a linha condutora daquele Teatro para qual todos (agora) alegremente contribuímos.

quinta-feira, setembro 23, 2010

Outono


Fico quase sempre azul nos dias cinzentos.

quarta-feira, setembro 22, 2010

Com certeza

O problema das pessoas que não têm defeitos é que, com certeza, têm virtudes terríveis.

Elisabeth Taylor

terça-feira, setembro 21, 2010

Fado tropical

Acordei assim: revolucionária e miscigenada.

segunda-feira, setembro 20, 2010

O verão


Li quase todos os livros da colecção de viagens da “tinta da china”
Fui ao Pego
Escrevi o raio do artigo
Fui aos Brejos da Carregueira
Não disse o que devia
Abracei para estancar a saudade
Descobri o fundo do mar
Fui a Compostela
Bebi granizado de melancia com vodka
Disse o que pensava
Trabalhei mais do que o normal
Reparei nas rugas da cara do meu pai
Não abri conta no Facebook
Calei-me e desliguei
Comprei um anti-rugas
Fui ao Meco
Empacotei coisas
Restaurei um armário antigo
Fui a Moledo
Comi pão de sementes de papoila
Candidatei-me
Fui admitida
(Re)descobri a vida de bairro
Disse adeus sem mágoa
Fui ao teatro mais vezes e arrependo-me
Quase não fui ao cinema e arrependo-me
Rasguei umas coisas
Virei-me para o futuro
Cortei muito o cabelo
Apaixonei-me por muitas ideias
Dormi no chão
Provei brunch em muitos sítios
Fiquei muito tempo em casa
Constatei a imensidão deste verão

segunda-feira, setembro 06, 2010

Portugal - poesia em edição revista e actualizada

Mais uma semana de férias aproxima-se: um pé fora, todo o coração, sempre, cá dentro.

segunda-feira, agosto 30, 2010

a certeza

Tinha cinco anos e voava no meu baloiço privado, preso a uma ameixoeira que ainda resiste à minha família. Nada de desportos radicais, desde sempre. Só o balanço frenético do baloiço e ladeiras de triciclo iludiam o meu controlo sobre a lei da gravidade. A corda rebentou, ele capotou numa curva. Vinte nódoas negras, cimento dentro dos joelhos, galo no alto da cabeça, costuras no cotovelo. Lição aprendida: há que insistir no balançar e na velocidade, agora também aplicada em subidas, e a certeza que o controlo sobre todas as leis da natureza é pura ilusão.

Porque volto sempre aos lugares onde fui feliz

“O amor acrescenta-nos com o que amarmos. O ódio diminui-nos. Se amares o universo, serás do tamanho dele. Mas quanto mais odiares, mais ficas apenas do teu. Porque odeias tanto? Compra uma tabuada. E aprende a fazer contas”.

Vergílio Ferreira, "Pensar"

quarta-feira, agosto 25, 2010

Excesso de informação

Mônica

Na verdade, seu guarda-roupa mudou muito, ainda que continue uma predileção pelo vermelho. Ainda é um pouco dentucinha, mas deixou de ser baixinha e gorducha faz muito tempo















Cebola (inha)


Hoje em dia não troca mais os "erres" pelos "eles" desde que tratou sua dislalia com uma fonoaudióloga, mas quando está nervoso acaba dando pequenos "escolegões".











Cascão

Cascão embora continue não gostando da idéia, agora toma banho de vez em quando.(...) turma foi fazendo sua cabeça e com o tempo ele adotou esse costume "bizarro" que toda humanidade tem chamado "banho".










Apesar do choque retirei toda esta informação daqui. Onde está o coelho-arma-de-arremesso? O crescimento, a pressão social trouxeram a elegância, a terapia da fala e o banho.
E o tio Patinhas? Estará nos cuidados paliativos de um qualquer hospital público? Os irmãos Metralha? Com pulseira electrónica em casa a ver o programa da Júlia Pinheiro ou reabilitados a trabalhar nas obras? Os gémeos Huguinho, Zezinho e Luisinho? Vingaram na vida, são hippies ou yuppies? Moram nos subúrbios? Ainda se falam? Descobriram a droga relaxante que lhes acabava com a hiperactividade?

Sinceramente...

...julguei-me tantas vezes isolada quando reflectia sobre a moda da" sinceridade" e a desculpa do "sermos fiéis a nós próprios". As palavras dilacerantes e egoístas são distribuidas com ligeireza acompanhadas dum prévio, supostamente afirmativo e honroso, "eu vou ser sincero" ou "salvo o devido respeito". Mais um alerta à Humanidade até porque lá diz o sábio povão "quem diz o que quer ouve o que não quer"!

quinta-feira, agosto 19, 2010

Um dia vamos todos ter graus mínimos de literacia. Hoje ainda não é o dia.

É certo que cada vez dou menos importância ao passado (visto que dava excessiva), é certo que não podemos saber tudo, é certo também que alguns estudos cientificos têm resultados manipulados, é certo que se trata do maravilhoso universo dos E.U.A. real que nos alimenta a tendência para estereotipar. Contudo aqui fica
O problema é que alguém um destes dias se vai lembrar que seria interessante fazer um destes, igualzinho, ao universo escolar português.

quarta-feira, agosto 11, 2010

Este ano não me deixaram entrar na silly season...

para o ano tenho de me inscrever na guest list....
Talvez por isso me faça acompanhar de pensamentos como este.

"Para que as coisas permaneçam iguais, é preciso que tudo mude"

O Leopardo por Luchino Visconti

segunda-feira, agosto 02, 2010

Na ponta da língua

Como desculpa para não ler o que realmente preciso ando fascinada pelo Churchill, redescobri-o por acaso numa biografia emprestada e no maravilhoso Google. Vejam o que encontrei nas minhas buscas:

Telegramas trocados entre Bernard Shaw e Churchill.
Convite de Bernard Shaw a Churchill:
"Tenho o prazer e a honra de convidar Sua Excelência Primeiro-Ministro para a apresentação da minha peça "Pigmaleão". Venha e traga um amigo, se tiver." Bernard Shaw
Resposta de Churchill a Bernard Shaw:
"Agradeço ilustre escritor honroso convite. Infelizmente não poderei comparecer na primeira apresentação. Irei à segunda, se houver." Winston Churchill

O General Montgomery estava a ser homenageado, depois de vencer Rommel numa batalha em África, na IIª Guerra Mundial. Discurso do General Montgomery:
"Não fumo, não bebo, não prevarico e sou herói"
Churchill ouviu o discurso pela rádio acompanhado dos seus assessores e retorquiu:
"Eu fumo, bebo, prevarico e sou o chefe dele."

Debate no Parlamento inglês. Tudo aconteceu num dos discursos inflamados de Churchill, em que a dado momento foi interrompido por uma deputada da oposição. Todos sabiam que Churchill não gostava de ser interrompido, mas foi dada a palavra a uma deputada que aproveitou para dizer em voz alta e bom som:
"Sr. Ministro, se V. Exa. fosse o meu marido, punha-lhe veneno no chá!"
Churchill, com muita calma, tirou os óculos e, depois de uns minutos de silêncio em que todos estavam à espera da resposta, exclamou:
"E se eu fosse o seu marido, tomava-o."

terça-feira, julho 27, 2010

Motivação

Onde encontrar motivação para escrever um imenso artigo durante todo o mês de Agosto quando o cheiro intenso da maresia afecta os sentidos e escorre areia com conchinhas do cérebro?

segunda-feira, julho 26, 2010

Toponímia

Não gosto muito de falar sobre toponímia. Disso sei demais. Dar nomes a ruas, avenidas, praças, becos sem saída. Não me obrigues a dizer-te como se chamam pracetas, impasses e jardins, inventei-os para não esquecer, decorei-os para não me perder. Toponímia pode ser sim uma conversa maçadora, porquê dos nomes, este numa viela, aquele outro numa praça bem em cima de um miradouro. Há motivos inversamente proporcionais à lógica e as palavras às vezes faltam, falham quando te quero explicar porquê, sobram-me memórias, sorrisos ao dobrar da esquina e umas quantas lágrimas que rolaram calçada abaixo. Não falemos sobre toponímia, limitemo-nos a seguir o trilho do carro eléctrico colina acima, colina abaixo ao ritmo imposto pelas mãos entrelaçadas que já esqueceram os mapas inúteis abandonados nos nossos bolsos.

sexta-feira, julho 23, 2010

O Livro...

... que me acompanha desde os 17 e ao qual volto sempre para relembrar o que é importante.

"Não desprezo os homens. Se o fizesse, não teria direito algum nem razão alguma para tentar governá-los. Sei que são vãos, ignorantes, ávidos, inquietos, capazes de quase tudo para triunfar, para se fazer valer, mesmo aos seus próprios olhos, ou simplesmente para evitar o sofrimento. Sei muito bem: sou como eles, pelo menos momentaneamente, ou poderia tê-lo sido. Entre outrem e eu, as diferenças que distingo são demasiado insignificantes para que a minha atitude se afaste tanto da fria superioridade do filósofo como da arrogância de César. Os mais opacos dos homens também têm os seus clarões: este assassino toca correctamente flauta; este contramestre que dilacera o dorso dos escravos com chicotadas é talvez um bom filho; este idiota partilharia comigo o seu último bocado de pão. Há poucos a quem não possa ensinar-se convenientemente alguma coisa. O nosso grande erro é querer encontrar em cada um, em especial, as virtudes que ele não tem e desinteressarmo-nos de cultivar as que ele possui".

Marguerite Yourcenar, in 'Memórias de Adriano'

quarta-feira, julho 21, 2010

África dele

O nosso presidente da silva está por terras angolanas e escusou-se comentar política portuguesa no momento em que tanto se fala em alargamento dos seus poderes. Após este desvio, fundado na profunda concentração no país anfitrião, fico aguardando serenamente declarações históricas, que por certo não se escusará a fazer, sobre a política angolana.

segunda-feira, julho 12, 2010

Ainda

Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.

Clarice Lispector in Perto do Coração Selvagem.

quinta-feira, julho 08, 2010

Precioso...

...é este filme que fala na vida dura do Harlem monstrando-nos uma mulher imensa, preta, pobre, analfabeta, doente que, apesar de tudo, faz com que os pequenos sonhos de sempre invadam gradualmente a sua dura realidade. A ver ou rever, certamente a guardar.

quarta-feira, junho 30, 2010

Recomeçar

Afinal engasgamo-nos nos com o pastelinho de bacalhau, não propriamente devido aos seus ingredientes mas devido ao cozinheiro, esse grande treinador de risco ao meio de tudo e sapato com a biqueira mais quadrada do Mundo.
Depois há ingredientes que dão um toque de perfeição como o transmontano Eduardo que, a chorar daquela maneira, ainda nos partiu mais o coração.
Acabou o futebol. Talvez já seja tempo de recomeçar a vida.

terça-feira, junho 29, 2010

E ainda (e porque não?) o Mundial de futebol...

Deixemo-los usufruir, com canhas e bocadillos, o seu último jogo deste Mundial em paz. Embora todos sabemos que é bem possível que se engasgem, bale?

Pontuação

Tremo no último grau da escala de Richter enquanto se põe este ponto final. Virão réplicas e reticências mas o futuro, que invade já este presente, tem outra pontuação.

sexta-feira, junho 25, 2010

A sombra da tua sombra, a sombra da tua mão, a sombra do teu cão

Ontem estreou "Brel nos Açores" no S. Luiz em Lisboa e lá estava eu a matar saudades das ilhas e a recordar o cantor que volta e meia me persegue com as palavras. Escrito pelo Nuno Costa Santos - o amigo Melancómico - e interpretado por Dinarte Branco, conta a história de Brel e em particular a sua passagem pelos Açores em Setembro de 1974 - onde se camuflou para não ser reconhecido (Brel, não era preciso... a malta andava na mais preocupada com outras coisas) - aquando da volta ao mundo no seu veleiro.
Um espectáculo verdadeiramente melancómico com apresentações limitadas ( ainda em cena SÓ hoje e amanhã). É favor embarcar!

terça-feira, junho 22, 2010

I'm lovin' it

Quem não se deliciou ontem com o belo repasto de golos que a nossa Selecção nos deu não só não gosta de futebol como também não liga muito a Portugal. Contudo deu-me um bocadinho de azia quando o Simão , após marcação de mais um golo, dançou qualquer coisa que, parecendo tola, fazia parte da campanha desse grande patrocinador que é o McDonalds. Como dizia hoje o Fernando Alves, nos seus sábios "Sinais" na TSF, o que precisamos de ti, ó Simão, não é fast food é fast foot.

segunda-feira, junho 21, 2010

Todo este céu, agora sem som


Abraça-me bem
e cobre o meu corpo
enfim
nesse agasalho
são os teus braços
sim
cuida de mim
basta-me um gesto porém
abraça-me bem

bem no teu colo
chega-me mais a ti um pouco mais suavemente assim
tudo por fim são mágoas que eu consolo
bem no teu colo

todo este céu de pássaros e tons muito assombrado
traz o teu sertão bom
todo este som
desce a nós
com um véu todo este céu

lançado à terra
sobre restingas e ilhéus
mil sombras de asas lembram a ausência
de um deus
num último adeus
pois só teu afago me espera
lançado à terra

e qualquer coisa acontece
no mais alto dos céus
qualquer coisa no fundo
do meu coração
mas não sei das trevas
nem da luz
pois sem ti não há
nem céu
nem chão

e se a noite já ronda
minha cruz
luz nas trevas
minha paixão


Fausto Bordalo Dias, numa rara aparição, CCB no último sábado. Mais um momento que que paro o relógio, acertado com a felicidade que este poema sempre me traz.

A hora H

“Sabia que todos os relógios de José Saramago estão marcados nas quatro da tarde, excepto o da cozinha? (...) É que no dia 14 de Junho de 86 Pilar conhece José numa entrevista de rádio que estava marcada para as quatro da tarde. Então José decidiu marcar todos os relógios nas 4 horas..."
Jornal I-on line, a propósito da morte da José Saramago.

Acertar o tempo pelo amor, acertarmo-nos não pelo que dizemos, pelo que escrevemos mas pelo que sentimos, pelo que vivemos. Parar o tempo nos momentos mais felizes de nós, viver na paz dessa felicidade e partilhar serenamente com quem está a nosso lado, com quem nos sorri nas dificuldades e nos respeita sempre. Haverá maior ambição?

terça-feira, junho 15, 2010

Férias com Eles

O novo livro de Inês Pedrosa entra definitivamente no universo masculino. Elas também estão por lá porque provocam, apoiam, fornicam, surpreendem, tramam, morrem. Eles confessam-se ao leitor sempre na primeira pessoa, nascem e morrem numa frase, reconhecem-se e desconhecem-se, tudo enquanto decorre um jantar de velhos (e verdadeiros) amigos numa tasca de Lisboa.
Da Inês gosto sempre mais das clarividentes crónicas, dos homens admiro o conceito de pura amizade onde as palavras mais duras, os julgamentos e as pequenas invejas ficam sempre no seu devido (e restrito) lugar.
Não é propriamente um manual de instruções para os conhecermos, talvez seja uma espécie de post-it para não nos esquecermos do que já sabemos.

Os Íntimos, Inês Pedrosa, Ed. Dom Quixote, 272 págs., 14,36 €

domingo, junho 06, 2010

à descoberta


Nas semanas em que falamos as línguas dos outros, provamos a comida dos outros, trocamos ideias com os outros, viajamos nos transportes dos outros, em que nos relembramos que "pouca-terra pouca terra" é linguagem universal, nas semanas em que os outros não sabem quem somos, em que nos vêem diferentes com os olhos deles, nessas semanas em que descobrimos que as suas vacas dormem mesmo deitadas no prado, em que compramos sapatos na sapataria "Cinderella", em que atravessamos cidades, vilas e aldeias, atravessamos canais e canais, ruas e ruas inundadas de gente feliz e triste, de chocolates, de almas perdidas e encontradas, de sexo, de mãos estendidas, de coisas que se vendem, todas as coisas que se podem imaginar ser vendidas... às bolas, são essas semanas precisamente essas que, com dor e alegria, alternadamente, descobrimos mais um bocadinho de quem somos.

terça-feira, maio 25, 2010

A confusão da precisão

E de novo, numa viagem de metropolitano, uma leitura atravessada, lá estava o “casamento homossexual entre pessoas do mesmo sexo”. Talvez o pleonasmo não exista de facto. Talvez a atenta observação da vida por estes experientes jornalistas os tenha encaminhado antes para a precisão da linguagem. Quem não conhece, afinal, casamentos homossexuais entre pessoas de sexos diferentes e casamentos heterossexuais entre pessoas do mesmo sexo?

quarta-feira, maio 19, 2010

Do fundo


Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar

(excerto de Espalhem a Notícia - Sérgio Godinho)

segunda-feira, maio 17, 2010

Amanhã

Amanhã não me vai apetecer escrever nada. Porque hoje tu não respondes, porque ontem não correspondi, porque antes, o antes deste depois, nós não soubemos. Amanhã não me vai apetecer escrever nada. A folha, outra, que retirei agora da minha gaveta de todas as folhas, vai continuar intacta à espera que um dia consiga cumprir o meu destino e escrever desalmadamente, com alma, tudo o que me vai na vida, que não é tanto como não parece mas que apetece ser escrito. Amanhã não me vai apetecer escrever nada porque só tu me sabes segurar assim na mão. Amanhã, se me apetecesse arriscar, forçar os dias sem ti, a letra, estou certa, sairia muito tremida.

Pode repetir?

"Duques de Bragança oferecem a Bento XVI edição limitada da Nossa Senhora do Rosário"

in Revista "LUX" desta semana

quarta-feira, maio 12, 2010

Outra ideia para o país

Estender o prazo de franchising do Vaticano de 4 dias para, pelo menos, dois anos até a crise passar.
(ideia surgiu enquanto oiço o Papa Bento XVI discursar para a elite intelectual portuguesa no CCB .Ser católico e intelectual - ambos por convicção - hoje em Portugal é duplamanete discriminatório).

Foto minha, verso dele

Eu a ver o Rufus Wainwright saindo em silêncio de um palco em Lisboa, sexta feira passada.


"I'm just a little bit Tower of Pisa whenever I see you"

verso de " Cigarrettes and Chocolate Milk"

terça-feira, maio 11, 2010

quarta-feira, maio 05, 2010

Coisas estúpidas

Já fiz muitas coisas estúpidas. A imitar os filmes ou os filmes a imitarem-me a mim. Andei sem rumo para pôr as ideias no lugar, embalei-me sempre que estive triste, dei importância a quem nem repararia se estivesse sob efeito de dois copos de bom vinho tinto (que é quando sou melhor pessoa e mais inteligente). Faço muitas coisas estúpidas. Por vezes corro até ficar sem forças, vou frequentemente muito mais cedo para as chegadas do aeroporto ver pessoas abraçarem-se e beijarem-se e acreditarem que a partir daquele encontro começou uma vida nova ou se retomou uma outra dolorosamente suspensa. Não me lembro de ter passado alguém numa fila. Continuo a fazer muitas coisas estúpidas. Apanho sol demais. Uso o cartão de crédito. Mergulho mais fundo do que sou capaz, ignorando a pressão. Bebo chá muito forte e a escaldar. Indigno-me menos. Ando de carro todos os fins-de-semana. Tenho cada vez mais esperança. Sonho com sapatos. Ainda deixo que me partam o coração.

É a Arte, estúpidos!

Desnudo, hojas verdes y busto - Picasso, 1932


Dois adolescentes de mochila, na paragem do autocarro, hoje pela manhã:
"-Viste aquela cena do quadro lá do Picasso vendido por 80 e tal milhões de Euros?
- Meu, nem consigo imaginar tanta nota.
- E aquele gajo, já viste: pinta mulheres com a cabeça na barriga, mamas nos ombros, pernas na cabeça, olhos esbugalhados... Mais feias e tortas que a minha stora de inglês. Vi os quadros lá naquela cena do museu de Barcelona, até fiquei mal disposto.
- Olha se tivesse sido fotógrafo então, já viste quanto sacava?
- Podes crer, f...se!"

segunda-feira, maio 03, 2010

Que a Força (pelos vistos sou eu) esteja convosco

Em quase dez anos as ciências ocultas entraram na minha vida duas vezes, tropecei nelas distraidamente. Em 2002 um presente de aniversário original: uma longa consulta astrológica que me deixou boquiaberta. Na semana passada uma inesperada sessão de Tarot confirmou tudo o que foi dito naquela época.
Já racionalizei o impossível mas há fortes indícios que o destino existe e é para cumprir dentro dos prazos legais.

sexta-feira, abril 23, 2010

Por medida

Descobri algures um documento sobre as minhas características profissionais, entre outras, destacavam-se "urbanidade" e "asseio". Fiquei levemente nauseada com esta minha (aparente) civilidade limpinha.

terça-feira, abril 20, 2010

Em slow motion vos digo...

... por vezes um fast forward é, será, a melhor solução.
(foto minha daqui, uma delícia num ápice)

sexta-feira, abril 16, 2010

iBOOK

Ontem, noticia de lançamento no Jornal da 2. Comprem, antes que esgote!

quinta-feira, abril 15, 2010

Negócio da (Tinta da) China






As quatro viagens que fiz ultimamente. Só uma delas foi, de facto, real. As outras foram cá dentro, eu no sofá, eu na esplanada, eu na cama, lendo todas estas palavras, decobrindo o que nunca vi mas que, agora, já sei. Sem aviões, sem (muitos) sustos, sem pó, sem perigo, sem ir à falência: meia embriagada em NY, personagem de manga no Japão, de um lado para o outro no Afeganistão (fintando conflitos de género e de todos os géneros) e simplesmente deslumbrada na Índia.

quarta-feira, abril 14, 2010

Constatações pós mergulho

"Nothin' much to say I guess
Just the same as all the rest
Been trying to throw your arms around the world
And a woman needs a man
Like a fish needs a bicycle
When you're tryin' to throw your arms around the world"


excerto de "Tryin'To Throw Your Arms Around the World"
U2

sexta-feira, abril 09, 2010

Perigo: país de Berlusconi

Quero que se familiarizem com a sinaléctica rodoviária de perigo caso resolvam andar de carro na zona de Treviso em Itália. Constatem a evolução da cultura da sinalização depois da simples curva e contra curva, projecção de gravilha, animais selvagens, vento lateral ou pavimento escorregadio. Admirem a representação da prostituta naquele país, possivelmente ditada pelos valores estéticos berlusconianos.

Já não é Impulse

E se, pela manhã, ao atravessar num semáforo, vir um carro funerário, conduzido por senhor de fato preto, óculos escuros e ar encarapinhadóaprumadinho, com a janela aberta, enviando piropos a todas as transeuntes e ouvindo um sambinha no volume máximo… isso é…
…a globalização!

quarta-feira, abril 07, 2010

Não tenho para Ti quotidiano

Não tenho para ti quotidiano
mais que a polpa seca ou vento grosso,
ter existido e existir ainda,
querer a mais a mola que tu sejas,
saber que te conheço e vai chegar
a mão rasa de lona para amar.

Não tenho braço livre mais que olhar para ele,
e o que faz que tu não queiras.
Tenho um tremido leito em vala aberta,
olhos maduros, cartas e certezas.

Neste comboio longo, surdo e quente,
vou lá ao fundo, marco o Ocupado.
Penso em ti, meu amor, em qualquer lado.
Batem-me à porta e digo que está gente.


Pedro Tamen

quinta-feira, abril 01, 2010

Ascensão aos céus


Nasce do céu azul,
azul cobalto,
azul acizentado,
azul turquesa,
azul celeste.
Nasce do céu azul
a palavra para te dizer.
Nada tem em comum
com as nuvens,
com os pássaros,
com as estrelas,
com a noite.
Nasce deste céu azul
a palavra que te quero dizer.
Dou-te uma pista:
essa palavra é
azulíssima.
Eu,
Junto ao céu, num destes dias.