Seis da tarde. Chegadas no aeroporto de Lisboa. No ar paira a ansiedade, há um burburinho a felicidade em todos os sorrisos, beijos e abraços. No telefone uma mensagem apressada“Sorry, I lost my connection from Madrid...” Sorrio, já a caminho de casa, e respondo “No you don’t”.
segunda-feira, março 03, 2008
Lost and found
Seis da tarde. Chegadas no aeroporto de Lisboa. No ar paira a ansiedade, há um burburinho a felicidade em todos os sorrisos, beijos e abraços. No telefone uma mensagem apressada“Sorry, I lost my connection from Madrid...” Sorrio, já a caminho de casa, e respondo “No you don’t”.
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
terça-feira, fevereiro 26, 2008
A pureza de Juno

You're a part time lover and a full time friend
The monkey on you're back is the latest trend
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
I kiss you on the brain in the shadow of a train
I kiss you all starry eyed, my body's swinging from side to side
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
Here is the church and here is the steeple
We sure are cute for two ugly people
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
The pebbles forgive me, the trees forgive me
So why can't, you forgive me?
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
I will find my nitch in your car
With my mp3 DVD rumple-packed guitar
With my mp3 DVD rumple-packed guitar
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
Du du du du du du dudu
Du du du du du du dudu
Du du du du du du dudu du
Up up down down left right left right B A start
Just because we use cheats doesn't mean we're not smart
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
You are always trying to keep it real
I'm in love with how you feel
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
We both have shiny happy fits of rage
You want more fans, I want more stage
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
Don Quixote was a steel driving man.
My name is Adam I'm your biggest fan
My name is Adam I'm your biggest fan
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
Squinched up your face and did a dance
You shook a little turd out of the bottom of your pants
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
Du du du du du du dudu
Du du du du du du dudu
Du du du du du du dudu
Du du du du du du dudu du
But you
Visão

Seis da tarde. Fim do Inverno Lisboa a correr. Na esquina daquela rua movimentada, o átrio abandonado de uma antiga repartição pública era sua sala de estar, vista jardim. Mantas coloridas, cartões e um gorro protegem-no do frio, da tristeza protegem-no uma maçã enorme na mão esquerda, um livro de poesia de Blake na mão direita e um sorriso imenso por todas aquelas palavras.
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
Final feliz

Contrariamente ao esperado acho que era mais moderada quando adolescente. Aprendi que não se deve falar uma lingua que os outros não compreendem, há palavras que devem ser guardadas para quem nos sabe amar. Por isso sou a favor da implosão, da prisão perpétua, da expulsão, do não e do sim, do amor para toda a vida, da rejeição visceral, dos dias ensolarados e dos carregados de tempestade, do branco e do preto. No meio disto está tudo o resto, todos os ses e cinzentos do mundo, aos quais tendo a dar cada vez menos importância. Porque sempre que radicalizo o final é... feliz.
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
A malta quer é cientístas para chegarem a estas conclusões.
Neste relatório alarmante da SEDES (saiu nos jornais ditos sérios deste país) no capítulo 4 ,"Criminalidade, insegurança e exageros"podemos encontrar isto:"Para se ter uma noção objectiva da desproporção entre os riscos que a sociedade enfrenta e o empenho do Estado para os enfrentar, calculem-se as vítimas da última década originadas por problemas relacionados com bolas de Berlim, colheres de pau, ou similares e os decorrentes da criminalidade violenta ou da circulação rodoviária e confronte-se com o zelo que o Estado visivelmente lhes dedicou.”
Não estou preocupada com as colheres de pau nem com as bolas de berlim, vá, são ambos típicos e cada um faz com eles o que bem entender (espera, agora há a ASAE...) cá dentro do nosso Portugal e depois, se for sua vítima, aguenta-se à bomboca. Já "os similares" deixam-me apreensiva (pode ser a tal bomboca um exemplo?), aliás como todos os conceitos vagos e indeterminados em contexto científico (logo extremamente sério).
Contributo para um guião consistente

Há anos que digo isto mas a verdade é que ainda não vi em nenhum guião (se calhar há razões para isso):
A cena passa-se num quarto de um casal. Ele (é o clássico, as mulheres são muito mais cuidadosas) levou a amante para o “sacrossanto leito conjugal” e estão na pinocada. De repente a mulher traída chega mais cedo a casa, abre a porta do seu quarto e apanha o respectivo com a boca na botija (sendo que botija, neste caso poderia ser muita coisa… e talvez boca também). Ele, na última tentativa de se desculpar, diz aquela frase clássica e estúpida perante o ar surpreendido da esposa: “Querida, isto não é o que parece!”. Aqui vem a inovação: a esposa, rapariga de humor aprimorado e nervos de aço, e diga-se de passagem mortinha por se ver livre dele, pousa a malita no chão, senta-se na banqueta aos pés da cama e diz: “Claro, então explica-me calmamente o que é e o que parece, para ver se concordamos”. O restante guião não envolve nenhuma ménage a trois, é só um diálogo a la W. Allen.
A cena passa-se num quarto de um casal. Ele (é o clássico, as mulheres são muito mais cuidadosas) levou a amante para o “sacrossanto leito conjugal” e estão na pinocada. De repente a mulher traída chega mais cedo a casa, abre a porta do seu quarto e apanha o respectivo com a boca na botija (sendo que botija, neste caso poderia ser muita coisa… e talvez boca também). Ele, na última tentativa de se desculpar, diz aquela frase clássica e estúpida perante o ar surpreendido da esposa: “Querida, isto não é o que parece!”. Aqui vem a inovação: a esposa, rapariga de humor aprimorado e nervos de aço, e diga-se de passagem mortinha por se ver livre dele, pousa a malita no chão, senta-se na banqueta aos pés da cama e diz: “Claro, então explica-me calmamente o que é e o que parece, para ver se concordamos”. O restante guião não envolve nenhuma ménage a trois, é só um diálogo a la W. Allen.
terça-feira, fevereiro 19, 2008
Imprevistos
Passar pelas brasas
Ontem estava sentada no sofá, algures entre as 8 e a 9 da noite ouvi o Ricardo e o Nicolau a dizerem “Boa noite senhor primeiro-ministro” (não escrevo com maiúscula não). Diz que é não sei quê do psicossomático, é sim senhor pois, e então depois destas palavras mágicas adormeci profundamente (não no sentido metafórico) e acordei na parte em que perguntavam se se ia recandidatar para o ano. Foi estrategicamente evasivo. Ainda há esperança…segunda-feira, fevereiro 18, 2008
É lindo!

Neste fim-de-semana não fiz muita coisa que jeito tivesse. Entre leituras e ócio em estado puro vi este filme “Pele Misteriosa” - devem conseguir alugar - de um realizador americano chamado Gregg Araki, etiquetado como o Almodovar americano. Frases feitas à parte, o filme conta a história de duas crianças, Neil e Brian, vítimas e sobreviventes, que se reencontram mais tarde para encaixarem as peças de um puzzle de violência e poesia, para descobrirem o sentido das suas fugas desde a infância. Resumidamente e sem floreados: é lindo!
sexta-feira, fevereiro 15, 2008
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
Cal

É um livro sobre velhos. Contos de velhos alguns cheios de esperança, apaixonados, novos e sábios, outros tristes, inadaptados, inconformados com a condição de serem velhos. Não há lamúrias, nem moral nestes contos e nestes poemas, há pessoas velhas, há o relembrar de que são pessoas em todas as suas dimensões apesar de irem já além dos setenta. São histórias de pessoas simples que vivem simplesmente na sua condição, que sabem muito mas que pouco podem dar. E nós, distraídos leitores, acabamos por receber. Muito. O Peixoto fez-nos esse favor.
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
Não é costume "postar" o que me enviam, mas este não resisti...

Alevantar - O acto de levantar com convicção, com o ar de 'a mim ninguém me come por parvo!... alevantei-me e fui-me embora!'.
Amandar - O acto de atirar com força: 'O guarda-redes amandou a bola para bem longe'
Aspergic - Medicamento português que mistura Aspegic com Aspirina.
Assentar - O acto de sentar, só que com muita força, como fosse um tijolo a cair no cimento.
Capom - Porta de motor de carros que quando se fecha faz POM!
Destrocar - Trocar várias vezes a mesma nota até ficarmos com a mesma.
Disvorciada - Mulher que se diz por aí que se vai divorciar.
Aspergic - Medicamento português que mistura Aspegic com Aspirina.
Assentar - O acto de sentar, só que com muita força, como fosse um tijolo a cair no cimento.
Capom - Porta de motor de carros que quando se fecha faz POM!
Destrocar - Trocar várias vezes a mesma nota até ficarmos com a mesma.
Disvorciada - Mulher que se diz por aí que se vai divorciar.
É assim... - Talvez a maior evolução da língua portuguesa. Termo que não quer dizer nada e não serve para nada. Deve ser colocado no início de qualquer frase. Muito utilizado por jornalistas e intelectuais.
Entropeçar - Tropeçar duas vezes seguidas.
Êros - Moeda alternativa ao Euro, adoptada por alguns portugueses.
Falastes, dissestes... - Articulação na 4ª pessoa do singular. Ex.: eu falei, tu falaste, ele falou, tu falastes
Fracturação - O resultado da soma do consumo de clientes em qualquer casa comercial.Casa que não fractura... não predura.
Há-des - Verbo 'haver' na 2ª pessoa do singular: 'Eu hei-de cá vir um dia; tu há-des cá vir um dia...'
Inclusiver - Forma de expressar que percebemos de um assunto. E digo mais: eu inclusiver acho esta palavra muita gira.Também existe a variante "Inclusivel".
Falastes, dissestes... - Articulação na 4ª pessoa do singular. Ex.: eu falei, tu falaste, ele falou, tu falastes
Fracturação - O resultado da soma do consumo de clientes em qualquer casa comercial.Casa que não fractura... não predura.
Há-des - Verbo 'haver' na 2ª pessoa do singular: 'Eu hei-de cá vir um dia; tu há-des cá vir um dia...'
Inclusiver - Forma de expressar que percebemos de um assunto. E digo mais: eu inclusiver acho esta palavra muita gira.Também existe a variante "Inclusivel".
Mô - A forma mais prática de articular a palavra MEU e dar um ar afro à língua portuguesa, como 'bué' ou 'maning'. Ex.: Atão mô, tudo bem?
Nha - Assim como Mô, é a forma mais prática de articular a palavra MINHA.Para quê perder tempo, não é? Fica sempre bem dizer 'Nha Mãe' e é uma poupança extraordinária.
Númaro - Também com a vertente "númbaro". Já está na Assembleia da Repúblicauma proposta de lei para se deixar de utilizar a palavra NÚMERO, aqual está em claro desuso. Por mim, acho um bom númaro!
Parteleira - Local ideal para guardar os livros de Protuguês do tempo da escola.
Perssunal - O contrário de amador. Muito utilizado por jogadores de futebol. Ex.: 'Sou perssunal de futebol'. Dica: deve ser articulada de forma rápida.
Pitaxio - Aperitivo da classe do 'mindoím'.
ProntusUsar o mais possível. É só dar vontade e podemos sempre soltar um 'prontus'! Fica sempre bem.
Quaise - Também é uma palavra muito apreciada pelos nossos pseudo-intelectuais...Ainda não percebi muito bem o quer dizer, mas o problema deve ser meu.
Perssunal - O contrário de amador. Muito utilizado por jogadores de futebol. Ex.: 'Sou perssunal de futebol'. Dica: deve ser articulada de forma rápida.
Pitaxio - Aperitivo da classe do 'mindoím'.
ProntusUsar o mais possível. É só dar vontade e podemos sempre soltar um 'prontus'! Fica sempre bem.
Quaise - Também é uma palavra muito apreciada pelos nossos pseudo-intelectuais...Ainda não percebi muito bem o quer dizer, mas o problema deve ser meu.
Stander - Local de venda. A forma mais famosa é, sem dúvida, o 'stander' de automóveis.
O "stander" é um dos grandes clássicos do "português da cromagem"...
Tipo - Juntamente com o 'É assim', faz parte das grandes evoluções da língua portuguesa. Também sem querer dizer nada, e não servindo para nada, pode ser usado quando se quiser, porque nunca está errado, nem certo. É assim... tipo, tás a ver?
O "stander" é um dos grandes clássicos do "português da cromagem"...
Tipo - Juntamente com o 'É assim', faz parte das grandes evoluções da língua portuguesa. Também sem querer dizer nada, e não servindo para nada, pode ser usado quando se quiser, porque nunca está errado, nem certo. É assim... tipo, tás a ver?
Treuze - Palavras para quê? Todos nós conhecemos o númaro treuze.
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
Absurdo

O Carnaval dá-me nervos.
Hoje pela manhã na sala de espera de um consultório médico descobri, na televisão ligada altíssimo, que a melhor máscara de Carnaval do Manuel Luís Goucha foi de “mesa de chá”(?!). Depois disto, e do Sócrates se ter mascarado de “engenheiro de modelitos monocromáticos”, eu cá acho que vou aderir à moda do absurdo e vou mascarar-me de tigre fugido do Circo Chen, na ânsia de que me dopem devidamente aquando da captura para só acordar na quarta feira de cinzas.
Hoje pela manhã na sala de espera de um consultório médico descobri, na televisão ligada altíssimo, que a melhor máscara de Carnaval do Manuel Luís Goucha foi de “mesa de chá”(?!). Depois disto, e do Sócrates se ter mascarado de “engenheiro de modelitos monocromáticos”, eu cá acho que vou aderir à moda do absurdo e vou mascarar-me de tigre fugido do Circo Chen, na ânsia de que me dopem devidamente aquando da captura para só acordar na quarta feira de cinzas.
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
quinta-feira, janeiro 31, 2008
Alergia

“Nota-se a sua tentativa de demarcação neste ponto específico blá, blá, blá”, faço mais espirais com a caneta – agora, felizmente, já de dentro para fora – e recordo o novo perfil do super-funcionário-público, tão apregoado no último ano: as palavras inteligência, formação, dinâmica, iniciativa estavam algures nessa descrição plastificada pelo glamour da modernidade. No final de desenhar um campo relvado cheio de florzinhas, todas coloridas na minha cabeça, regresso ao “blá, blá blá” e constato que afinal, e se calhar, não é bem isso que querem. Subitamente uma imensa vontade de espirrar. O pólen dá-me cá uma alergia…
quarta-feira, janeiro 30, 2008
Tento empurrar-te de cima do poema

Tento empurrar-te de cima do poema
para não o estragar na emoção de ti:
olhos semi-cerrados, em precauções de tempo
olhos semi-cerrados, em precauções de tempo
a sonhá-lo de longe, todo livre sem ti.
Dele ausento os teus olhos, sorriso, boca, olhar:
tudo coisas de ti, mas coisas de partir...
tudo coisas de ti, mas coisas de partir...
E o meu alarme nasce: e se morreste aí,
no meio de chão sem texto que é ausente de ti?
E se já não respiras? Se eu não te vejo mais
por te querer empurrar, lírica de emoção?
E o meu pânico cresce: se tu não estiveres lá?
E se tu não estiveres onde o poema está?
Faço eroticamente respiração contigo:
primeiro um advérbio, depois um adjectivo,
depois um verso todo em emoção e juras.
E termino contigo em cima do poema,
presente indicativo, artigos às escuras.
Ana Luísa Amaral
segunda-feira, janeiro 28, 2008
O Ano da Tia
Sempre cresci com poucas crianças em meu redor. Talvez seja por isso que gosto tanto delas. Talvez seja por isso que, sempre que vou ser tia (é raro), fico tão feliz. Este ano vão ser duas vezes (um record): uma no final de Abril e outra a meio de Setembro. Depois é deixar a “marinar” para quando estiverem mais apurados, para quando puder falar com eles, contar-lhes histórias e responder-lhes a todos os porquês (e são tantos). Fingir que os esclareço e ficar a ouvir tudo o que têm para me dizer, guardar-lhes para sempre aquela pureza. quarta-feira, janeiro 23, 2008
Tropeçar...
terça-feira, janeiro 22, 2008
Resistir ao zapping

Estar doente – deitada dias a fio sem conseguir fazer absolutamente nada, excepto zapping - faz com que descubramos coisas espantosas: os programas dos canais generalistas que têm início por volta das 10h e terminam algures antes do telejornal das 20h. O público-alvo é os idosos, as donas de casa e todos os que tenham o infortúnio de abrir a televisão. Pela manhã temos brejeirice, drama – numa semana houve testemunhos de quase todas as doenças raras que existem catalogadas – os fatos do Goucha – uma mistura perfeita de reposteiro do S. Carlos e de colcha de patchwork da minha avó – e… o Cláudio Ramos, para o qual não arranjo, ainda, adjectivos. De tarde temos a Júlia ensurdecedora, o João Baião e os seus pulos – surpreendentemente o mais (in) suportável – e … o José Castelo Branco que é pago a peso de ouro – estou certa – para demonstrar diariamente o quanto é burro e mal formado.
Agora que estamos na era das contas, contabilizemos quanto o Sistema Nacional de Saúde gasta no tratamento das depressões profundas que a programação televisiva diurna causa no seu público alvo, levando-os, estou certa, à absoluta apatia, à dependência de ben-u-ron para combater a constante dor de cabeça, às agressões inusitadas ao próximo. Se a tudo isto lhes juntarmos um “24 horas” e uma “Maria” tentativas desesperadas de suicídio aumentarão significativamente. Agora entendo os resistentes da Nação que passeiam compulsivamente de autocarro com o seu passe-idoso, o luxo permitido, as que tomam chá, tarde atrás de tarde, com as amigas de sempre no café da esquina ou os que organizam entusiasticamente campeonatos diários de sueca nos jardins da cidade. Para eles toda a minha admiração.
Agora que estamos na era das contas, contabilizemos quanto o Sistema Nacional de Saúde gasta no tratamento das depressões profundas que a programação televisiva diurna causa no seu público alvo, levando-os, estou certa, à absoluta apatia, à dependência de ben-u-ron para combater a constante dor de cabeça, às agressões inusitadas ao próximo. Se a tudo isto lhes juntarmos um “24 horas” e uma “Maria” tentativas desesperadas de suicídio aumentarão significativamente. Agora entendo os resistentes da Nação que passeiam compulsivamente de autocarro com o seu passe-idoso, o luxo permitido, as que tomam chá, tarde atrás de tarde, com as amigas de sempre no café da esquina ou os que organizam entusiasticamente campeonatos diários de sueca nos jardins da cidade. Para eles toda a minha admiração.
terça-feira, janeiro 08, 2008
quarta-feira, dezembro 12, 2007
É Natal!

Depois de muito trabalho, respiro. Descobri hoje que vou de férias amanhã mas só descanso na semana do Natal! Confusos? Eu também. Não vos maço com explicações sobre o quão banais são pessoas idiotas. A parte boa do dia: estou finalmente a escrever no meu blog e, hoje pela manhã, pus um colar amarelo (?!).
O Natal aí está, pelo motivo acima adiantado suspeito que não conseguirei passar por aqui antes do dia 25. Este ano estou tão preocupada e tão, como direi, lisa, com tão pouco tostãozito que ainda não incorporei o espirito do Natal. Comprei já os presentes para os pais e para as crianças. Os outros vai de beijos, postais e tempo, quando o tiver, em breve. Quero dar mais tempo aos meus verdadeiros amigos. Quero dar mais tempo aos meus escassos e corajosos leitores. Proponho-me. Acho mais verdadeiro que "Prometo".
Quanto a tudo o resto que se anda aí a passar... posso-vos dizer que me entristece e me faz rir (tudo isto em simultâneo, sim pareço louca). Desde os milhentos pais natais que trepam as varandas e as chaminés das maisons do nosso país até ao discurso do Sócrates na Cimeira UE- África, passando pela programação televisiva e pelo efeito compulsivo-agressivo que o subsídio de natal tem no comportamento do cidadão comum. Desde os famosos gangs da noite portuense passando pelo aumentos de tudo e mais alguma coisa acima dos 2,1%, desde as reformas legislativas até ao duelo vazio e insípido do VP Valente e do MS Tavares. Este Natal aposto na abelhinha do Seingfield. É por aí.
Voltarei mais animada, agora sim, prometo.
terça-feira, novembro 27, 2007
O que é isto????!!!
quarta-feira, outubro 31, 2007
Traidores de todo o mundo...

Contaram-me ontem uma rebuscada história de traição que, traduzida, daria uma novela de pico de audiência, ainda sem fim à vista. Encaixa na perfeição naquela citação do homenzinho de bigode, baixote que quis, até 1945, governar o mundo:
quanto maior é a mentira, maior a possibilidade de ser acreditada.
quanto maior é a mentira, maior a possibilidade de ser acreditada.
Na sequência disso fica aqui um útil site para os que, dessa classe, têm falta de imaginação: http://www.alibila.com/Accueil.html
terça-feira, outubro 30, 2007
Venha de lá esse frio!

Pois estou…. Quando vem ele?
Isto das alterações climáticas tem muito que se lhe diga, em três dias levou a que, pelo menos, existissem três declarações que provam uma estreita conexão entre o aquecimento global e a doença psiquiátrica:
Da Casa Branca foi declarado, como uma das justificações para a não ratificação do Protocolo de Quioto, que o aquecimento global até pode beneficiar algumas populações que anualmente sobrem baixas devido às temperaturas negativas. Isto faz-me lembrar uma crónica da semana passada do Bruno Nogueira na TSF sobre o tema na qual enunciava uma série de pontos positivos, a este nível de argumentação (só que integrados num contexto humorístico), mas, por fim, alertava para o facto de haver menos estações, o que podia lixar a vida aos estilistas! Quando a Donna Karan souber talvez pressione o Bush para que faça alguma coisa de jeito.
----------
A última assembleia-geral do SLB, apelidado pelos inocentes de O Glorioso: no meio de impropérios lançados pelas sancionadas claques (essa espécie que nem o raio do aquecimento global extingue!) ao Presidente Glorioso, o Vilarinho passa-se indignado, qual pai do antigo regime impondo o respeitinho, e diz que aquele senhor não é uma pessoa qualquer e por isso não podem ter aquela atitude, não o podem insultar. Eis um argumento que, se não fosse completamente estúpido, seria, digamos… elitista.
Isto das alterações climáticas tem muito que se lhe diga, em três dias levou a que, pelo menos, existissem três declarações que provam uma estreita conexão entre o aquecimento global e a doença psiquiátrica:
Da Casa Branca foi declarado, como uma das justificações para a não ratificação do Protocolo de Quioto, que o aquecimento global até pode beneficiar algumas populações que anualmente sobrem baixas devido às temperaturas negativas. Isto faz-me lembrar uma crónica da semana passada do Bruno Nogueira na TSF sobre o tema na qual enunciava uma série de pontos positivos, a este nível de argumentação (só que integrados num contexto humorístico), mas, por fim, alertava para o facto de haver menos estações, o que podia lixar a vida aos estilistas! Quando a Donna Karan souber talvez pressione o Bush para que faça alguma coisa de jeito.
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A última assembleia-geral do SLB, apelidado pelos inocentes de O Glorioso: no meio de impropérios lançados pelas sancionadas claques (essa espécie que nem o raio do aquecimento global extingue!) ao Presidente Glorioso, o Vilarinho passa-se indignado, qual pai do antigo regime impondo o respeitinho, e diz que aquele senhor não é uma pessoa qualquer e por isso não podem ter aquela atitude, não o podem insultar. Eis um argumento que, se não fosse completamente estúpido, seria, digamos… elitista.
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Os jornalistas, indignados com o facto do pai da Maddie ir retomar a sua actividade de médico radiologista, após toda esta tragédia/palhaçada, arranjam de imediato um especialista, daqueles muito especiais que dizem coisas especialmente espertas, que afirmou que, como colega de profissão, acha um risco um homem daqueles, após todo o sofrimento, voltar à actividade uma vez que os seus níveis de concentração estão mais baixos. Bom, a próxima vez que forem ao médico, que estiverem no hospital para serem operados, que forem ter um filho, façam o trabalho de casa: certifiquem-se (preparem mesmo um formulário) se alguém da equipa médica que os atende teve recentemente um drama pessoal (conceito muito subjectivo, como sabemos), tipo morte de um parente, de um amigo próximo, do cão de sempre, um divórcio litigioso, um telefone sob escuta, um salto partido da bota, uma unha encravada...
segunda-feira, outubro 29, 2007
Manifesto anti-racista da comunidade ovina (ou lanígera, enfim... como acharem mais fofinho)
... ou um pretexto para que conheçam o meu pet: a ovelha Camila! Nasceu em Espanha mas veio muito pequenina para Portugal (antes que se apercebesse de tal desgraça). Vá, diz olá às meninas e meninos, e a todos os outros, que têm a coragem e, posterior, imensa satisfação de ler este blog, diz lá.................... Ouviram? É linda!
sexta-feira, outubro 26, 2007
quarta-feira, outubro 24, 2007
terça-feira, outubro 23, 2007
És tão infantil
Passava pelos bibes no caminho casa-trabalho, cantavam, pululavam de mãos dadas, a deixar cair bonés e pedacitos de felicidade da calçada. Disse-me adeus um, outro pôs a lingua de fora. Andando e pensando no elogio que me fizeram um destes dias, elogio que talvez não o fosse: disseram-me, sabe-se lá porquê, entre um molho de papéis para analisar, que o meu lado infantil era notório. Nota-se sim, cresce todos os dias, é sólido, é maduro este meu lado infantil. Já passava o Jardim Constantino quando começou a listagem, porque é preciso recolher prova, da quantidade incrível de coisas que sobram da minha infância:- andar de baloiço, balouçar-me quando estou triste;
- beber água com ajuda da mão;
- experimentar roupa dos mais velhos;
- comer chapéus de chuva de chocolate da Regina;
- odiar cortar o cabelo;
- correr descalça;
- mexer na terra com as mãos,
- rapar as tigelas com preparado das sobremesas;
- distrair-me a seguir carreiros de formigas;
- chapinhar em qualquer poça de água;
- separar os vários tipos de comida no prato;
- resmungar para dentro quando me ofendem "Se sou(... enfim a ofensa) e tenho fama é mais (... a mesma ofensa) quem me chama".
- beber sumol de ananás;
- falar e cantarolar quando estou sozinha;
- andar de bicicleta sem ter em mente o fitness,
- fazer origami, um bocadinho mais complexo, pronto;
- pensar que qualquer coisa vai acontecer se aquele sinal não cair a tempo,
- ...
Lista interminável concluí. Entretanto chego ao trabalho, já no elevador, depois de uns bons dias diplomáticos, constato de novo que preferiria sempre, pela manhã, a escola primária.
segunda-feira, outubro 22, 2007
segunda-feira, outubro 15, 2007
No dia em que ganhar o Nobel
A Doris LessingNesse dia já terei passado tanto que o meu cabelo desistiu de toda a cor, que a minha pele secou, já terei visto o suficiente para manter o brilho no olhar, para, num ápice, distinguir, certeira, o essencial do acessório. Então virei das compras como em qualquer outra manhã, virei de comprar coisas, o prosaico da vida, pão, iogurtes, é doce a fruta não é, arranje-me aí um pargo bem fresco, especiarias, flores, sempre flores. Dizia, virei das compras, regresso à minha casa, discreta, bonita, bem cuidada, talvez já vazia, com um jardim onde me demoro nos gatos e nas roseiras, e aí estavam eles, acotovelam-se, às dezenas, sem face, objectivas e microfones em burburinho sintético. Do táxi assusto-me, não reconheço a minha rua, a minha casa. Que quererão? Alguma catástrofe, alguma estrela com um escândalo? Só os vejo a eles. Flashes pela manhã, virão direitos a mim, cercam o seu alvo. Perguntarei atónita, naquela invasão inusitada do meu mundo, o que fotografam? Porque estão aqui? E eles, saboreando a notícia em primeira mão, engasgados de audiências dirão ganhou o Nobel daLiteratura! Penso devagarinho N-O-B-E-L-D-A-L-I-T-E-R-A-T-U-R-A-G-A-N-H-E-I. Vejo-me na infância, tomo-me conta, como sempre, junto ao mar depois de uma tempestade. Uno ponto por ponto todos os momentos felizes, foram tantos, não tinha dado conta, relevo todas as dores que os provocaram. Pouso os sacos das compras. Não respiro e digo Meu Deus como se nele acreditasse, chamando-o para que venha testemunhar a bizarria, o inédito do momento. Meu Deus! Retomo o fôlego para todo o reconhecimento do mundo que nunca de mim tinha ouvido falar, entro em casa, acondiciono o peixe, a fruta e os vegetais, sento-me no sofá, olho pela janela entreaberta. Eles esperam-me para todos os discursos inteligentes. Eu aqui, ainda invocando o Seu Santo Nome, desta feita não em vão, eu aqui, um Nobel da Literatura, gelada, suspensa, feliz, um Nobel da Literatura e sem, pela primeira vez, uma única palavra.
quarta-feira, outubro 10, 2007
A pura ficção (com todas as semelhanças com a realidade) do amor contemporâneo
...
Bem. Cansada mas bem. E tu?
Bem, cansado. Muito. Mas acabei de regressar de férias.
Então e mais coisas?
Todas as coisas! Jantamos um dia destes?
Pode ser... fazes o agendamento?
Começamos pela tua enciclopédia (ainda estás a escrevê-la, não é?) a do universo masculino português e depois...
Não, desisti ... converti-a numa tira de bd... cómica!
Fico contente por, de alguma forma, ter contribuído para tamanha conclusão.
És uma cobaia simpática. Mas a conclusão não se baseia em ninguém em especial, é um saber cumulado, muitos testemunhos, muita observação.
Pois, esse humor cínico-alternativo!
Em plena forma!
Bom, contigo não há agendamento possível. Retomamos então naquele almoço com vista para o rio?
O quê, o do dia em que nos conhecemos?
Sim. Mas podem ser os outros, foram todos perfeitos!
Estás bem? Contraíste algum vírus tendencialmente incapacitante?
Não achas que oito anos de assunto preenchem uma agenda?
De quantos jantares?
Bem sabes que são os que quiseres.
Contraíste o tal vírus de facto. Não te consigo levar a sério!
Por isso é que tens graça!
...
(continua...)
Bem. Cansada mas bem. E tu?
Bem, cansado. Muito. Mas acabei de regressar de férias.
Então e mais coisas?
Todas as coisas! Jantamos um dia destes?
Pode ser... fazes o agendamento?
Começamos pela tua enciclopédia (ainda estás a escrevê-la, não é?) a do universo masculino português e depois...
Não, desisti ... converti-a numa tira de bd... cómica!
Fico contente por, de alguma forma, ter contribuído para tamanha conclusão.
És uma cobaia simpática. Mas a conclusão não se baseia em ninguém em especial, é um saber cumulado, muitos testemunhos, muita observação.
Pois, esse humor cínico-alternativo!
Em plena forma!
Bom, contigo não há agendamento possível. Retomamos então naquele almoço com vista para o rio?
O quê, o do dia em que nos conhecemos?
Sim. Mas podem ser os outros, foram todos perfeitos!
Estás bem? Contraíste algum vírus tendencialmente incapacitante?
Não achas que oito anos de assunto preenchem uma agenda?
De quantos jantares?
Bem sabes que são os que quiseres.
Contraíste o tal vírus de facto. Não te consigo levar a sério!
Por isso é que tens graça!
...
(continua...)
segunda-feira, outubro 08, 2007
Esse imenso Outono

Depois de ter feito a bela noitada a escrever a tese, que quanto mais páginas tem mais páginas precisa ter, acordei cedo e rumei à Ericeira porque o meu único sobrinho fazia um ano e ansiava pelos canapés que a Tia Ouriça ia fazer para os convidados.(Está lindo o meu sobrinho que adora os meus mimos misturados com os meus colares gigantes!) Ao lanche fomos invadidos pelos trinta mil convidados e as suas respectivas crianças (as estimativas oficiais apontaram para mais do dobro dos convidados adultos) que animaram a casa, o condomínio, o bairro, enfim, toda a região oeste, com as suas brincadeiras mais ou menos incompreensíveis para as quais tenho uma infinita paciência. Quando já não precisavam que fizesse de “grande”, refugiei-me na varanda para falar de futebol e de política com alguns homens que se tinham refugiado, por sua vez, da restante família. Quando suspeitei que as considerações acerca do universo feminino se iriam iniciar, engoli um café, uma fatia de bolo e uma taça de um belo champanhe num ápice e fugi para a praia do Sul, naquele fim de tarde, ainda a tempo de ver o pôr do sol. Bem sei que é mais ou menos igual há vários milhões de anos, porém a novidade não me empurra necessariamente para a felicidade. Assim, embrulhada na toalha de verão e de botas espalhadas na areia, fiquei ali distraída, sem pensar em nada, eu, o mar, o que restava do sol e dos surfistas do dia, a saborear esse imenso Outono que era aquela praia.
terça-feira, outubro 02, 2007
Pensamentos, constatações e outros devaneios

Pensamentos que me assolaram e episódios bizarros da semana passada:
Finalmente o Santana Lopes disse alguma coisa de jeito (só direi isto uma única vez), passo a citar”Oh minha senhora o país está doido!”
Vi a reportagem na SIC sobre os monges da Cartuxa, “O elogio da solidão”, e surpreendentemente, confesso, fiquei com muita pena de não ter nascido com aquela vocação quase eremita que lhes dá tanta felicidade;
Que o Plano Tecnológico deve dar um novo passo (e rápido) para dotar equipas de árbitros do futebol da 1ª Liga de tecnologia de ponta, infalível para que a comunicação nunca falhe (Se o Santana ainda fosse Primeiro Ministro (arghhh!!!) era para ontem!);
Que a chuva de Outono (que saudades!) sabe bem, tão bem em casa com janelas grandes, de sofá, almofadas, Expresso e uns cubinhos de chocolate.
No domingo pela manhã enfiei-me num famoso Centro Comercial para resolver as trinta coisas que tinho deixado acumular nos últimos tempos. Fiquei deprimida: numa uma hora e meia presenciei três discussões audíveis, duras, de casais desavindos, uma das quais ao telefone, pelos seguintes motivos:
- a Sandra (do outro lado do telefone) foi sair com o Não-Sei-Quantos que provocou uma fúria gigantesca no Não-Sei-Quantos II, por enquanto o seu namorado oficial;
- Um casal discutia numa sapataria. A filha chorava de birra. Motivo: as botas que a menina gostava estavam esgotadas e o pai arranjou outras como alternativa melhores, mais funcionais e igualmente caras. A mãe achava inadmissível levar umas botas contra a vontade da filha. O tom da discussão cresceu ao ritmo do choro da criança.
- O terceiro Não-Sei-Quantos dizia, repetidamente e num tom descontrolado, à mulher amuada, que fingia ignorá-lo enquanto via expositores de cds, para não estar armada em parva, que já o conhecia e era assim e pronto (seja lá o que “era assim” fosse).
Finalmente o Santana Lopes disse alguma coisa de jeito (só direi isto uma única vez), passo a citar”Oh minha senhora o país está doido!”
Vi a reportagem na SIC sobre os monges da Cartuxa, “O elogio da solidão”, e surpreendentemente, confesso, fiquei com muita pena de não ter nascido com aquela vocação quase eremita que lhes dá tanta felicidade;
Que o Plano Tecnológico deve dar um novo passo (e rápido) para dotar equipas de árbitros do futebol da 1ª Liga de tecnologia de ponta, infalível para que a comunicação nunca falhe (Se o Santana ainda fosse Primeiro Ministro (arghhh!!!) era para ontem!);
Que a chuva de Outono (que saudades!) sabe bem, tão bem em casa com janelas grandes, de sofá, almofadas, Expresso e uns cubinhos de chocolate.
No domingo pela manhã enfiei-me num famoso Centro Comercial para resolver as trinta coisas que tinho deixado acumular nos últimos tempos. Fiquei deprimida: numa uma hora e meia presenciei três discussões audíveis, duras, de casais desavindos, uma das quais ao telefone, pelos seguintes motivos:
- a Sandra (do outro lado do telefone) foi sair com o Não-Sei-Quantos que provocou uma fúria gigantesca no Não-Sei-Quantos II, por enquanto o seu namorado oficial;
- Um casal discutia numa sapataria. A filha chorava de birra. Motivo: as botas que a menina gostava estavam esgotadas e o pai arranjou outras como alternativa melhores, mais funcionais e igualmente caras. A mãe achava inadmissível levar umas botas contra a vontade da filha. O tom da discussão cresceu ao ritmo do choro da criança.
- O terceiro Não-Sei-Quantos dizia, repetidamente e num tom descontrolado, à mulher amuada, que fingia ignorá-lo enquanto via expositores de cds, para não estar armada em parva, que já o conhecia e era assim e pronto (seja lá o que “era assim” fosse).
Saí deprimida, com vontade de ficar solteira para o resto de toda a minha sã vida e a pensar naquela sábia frase (nunca pensei dizer isto) do Santana Lopes. Irra!
quarta-feira, setembro 26, 2007
terça-feira, setembro 25, 2007
Ode a um amor perfeito
Queria dar-te. Quase tudo. Carinho, frases, lugares que desconheces mas que já gostas, presentes de criança… Queria dar-me porque sei que sabes receber, tiras o papel com cuidado e guardas-me aí dentro como se de um precioso tesouro se tratasse.Queria desenhar em nós horas que são sonhos, sorrisos que são “estórias” de encantar e mãos que têm na ponta dos dedos dias de sol ou de chuva.
Queria que me adivinhasses em cada gesto e que deixasses escrever-te em cada linha.
Queria que morasses em mim como a esperança de encontrar quem me sabe de cor. Queria, por fim, depois da tempestade, ter a coragem de não fazer a mala à pressa e partir, de ficar e dar-te os meus livros, os meus filmes, as minhas memórias, os meus amigos… de ficar a embalar todas as tuas dores e alegrias, adormeceres nos meus braços e eu adormecer-me em ti.
sexta-feira, setembro 21, 2007
Poesia matinal
Tenho o saudável hábito de todas as manhãs, durante a semana, ouvir, quase quase em cima das nove, “Os Sinais” do Fernando Alves na TSF. Ouço-o por tudo, pela preocupação com o mundo, pela voz, pela sensibilidade, com a qual me identifico, e sobretudo porque, quando for grande, gostava muito de escrever como ele. Hoje narrava Fernando a história de um pobre camponês na Baía, Brasil que se deslocara ao Planalto, andando quatro dias sem comer, para que Lula o socorresse da falta de tudo a que sempre fora vetado. Do tudo que seria, para muitos de nós, tão pouca coisa: uns trocados, cuidados de saude, carinho. É esta poesia, uma vezes doce outras cortante, demolidora mas sempre real, é esta pureza matinal que me faz sair de casa, enfrentar uma cidade barulhenta, um dia agitado com um sorriso imenso na alma. terça-feira, setembro 18, 2007
segunda-feira, setembro 17, 2007
Estou na minha fase de indignação (já passa...).

Sócrates está nos EUA. Vai ser recebido uma hora pelo Presidente Bush: 55 minutos na qualidade de líder da Presidência da U.E., 5 minutos na qualidade de Primeiro Ministro de Portugal.
Dirá que Bush é bem vindo a Portugal. Ele que venha. Qualquer grupo terrorista (com métodos não suicidas) informado saberá que aqui compensa fazer um atentado como deve de ser: a coordenação policial apadrinha, o novo Código do Processo Penal abençoa.
sexta-feira, setembro 14, 2007
quinta-feira, setembro 13, 2007
David

Sobre ele não sei muito. Sei sobre o que defende e porque defende. Leio com atenção desde alguns anos o que diz pelo mundo. Ontem, quando um jornalista lhe perguntava porque tinha vindo a Portugal ele respondeu, como se estivesse a falar com um amigo de sempre, longe de qualquer máquina de marketing, que lhe enviaram dinheiro para a viagem e por essa razão ali estava. Tipo fixe, pensei. Sem preconceito de falar no material, sem discursos elaborados sobre os Direitos Humanos (de quem todos falam mas que poucos vêem) dizendo o que lhe dá na real gana, borrifando-se para os Golias que o esperam em quase todo o lado. Respeito-lhe a “Sua Santidade” porque me parece mesmo um tipo sábio, muito sábio... e fixe.
segunda-feira, setembro 10, 2007
o escritor

Acabei de ver o Lobo Antunes. Entrou e sentou-se quase a meu lado. Partilhámos uma refeição. Senti-o respirar. Apoiou-se na cabeça várias vezes enquanto lia os jornais. Pesa-lhe o mundo. Pesam-lhe as memórias da guerra e todas as outras sobre as quais insistiu escrever. Está cansado o escritor. Está cansado de estar doente, do mundo estar doente, desse estado cosmicamente doentio. Está triste o escritor. Faltam-lhe aquelas palavras que não consegue encontrar, no meio de tantas outras, para o seu, teme, derradeiro livro. Sobreviveu a quase tudo, ao privilégio e à dureza, tem dúvidas se sobrevive a si. Indigna-se como o mundo contínua se, ali dentro, tudo está suspenso, pelo medo, pela incerteza. Tenta compensar o fim fictício do tabaco com mais jornais mas, malogrado esforço, não se consegue esquecer de si. Olha-me de soslaio, meio curioso, totalmente arrogante como lhe é característico. Mede-me para saber se caibo em alguma história, se sou parecida com alguma personagem. Pergunta-me se fumo. Finjo distracção e digo-lhe que não. Não me ajusto à sua narrativa concluiu. Mergulha de novo no mundo e em si e eu acarinho-o com o olhar enquanto pago a conta. O escritor retomou-se.
sexta-feira, setembro 07, 2007
Búzio

sei que nunca viste o oceano,
que nunca olhaste a onda sobre a onda,
que nunca fizeste castelos para o mar ser forte.
que nunca olhaste a onda sobre a onda,
que nunca fizeste castelos para o mar ser forte.
mas sei que já viste o coração das coisas,
que já tocaste a ferida nos nossos braços,
que já escreveste para sempre o nome da terra.
que já tocaste a ferida nos nossos braços,
que já escreveste para sempre o nome da terra.
por isso te digo que vou levar-te o mar
na concha das minhas mãos, azulíssimo,
para que nele descubras o meu nome
entre os seixos os búzios os rostos que já tive.
na concha das minhas mãos, azulíssimo,
para que nele descubras o meu nome
entre os seixos os búzios os rostos que já tive.
Vasco Gato, Um Mover de Mão
quinta-feira, setembro 06, 2007
quarta-feira, setembro 05, 2007
Humor islandês (leia-se o meu!) ou um brevissimo tratado sobre a proporcionalidade
segunda-feira, setembro 03, 2007
Puente
Passava eu, neste fim-de-semana, vinda de Espanha, a fronteira do Caia quando me deparo com a placa que dá nome à, quase imperceptível, ponte internacional sobre o rio Caia: Puente José Saramago. Fiquei surpreendida, confesso. O que nos une a Espanha afinal? Paralelismos com o PIB e com políticas sociais não são: Espanha acelerou há muito tempo rumo ao crescimento económico, com “superávits” pelo meio. A monarquia não os impediu de terem políticas progressistas ajustadas à realidade, não os impediu de colonizarem de novo o mundo, o mundo do consumo, mas o mundo. A cultura também não é: Espanha vibra, sem precisar de Berardos, absorvendo passado e presente, atenta à diversidade que também define a arte. O orgulho também não: exacerbado, por vezes, os espanhóis amam o seu país, dão-no a conhecer ao mundo apesar de todas as divisões.Sempre olhei para a fronteira com desconfiança porque acredito no bom senso popular e porque, como gosto muito de História, sei bem o que tivemos de fazer para existirmos enquanto país. A língua irrita-me ligeiramente. A comida faz-me azia. Nem dos caramelos com pinhão gosto muito.Mas estava eu a passar a puente Saramago para Portugal e lembrei-me da “Jangada de Pedra” que não tinha ponte nenhuma para o resto da Europa, navegava isolada em pleno Atlântico.”Vejo a Ibéria como a criação de um país novo” ecoa a entrevista ao Expresso desta semana. Não sei se por amor, por insanidade, por vingança política ou por tardia convicção. Lutou à sua maneira pela liberdade, escreveu, escreveu, escreveu, nesse escrever criou novas regras de pontuação, deu-nos o Nobel, deu-nos com os pés quando trocou o sol de Lisboa pelas cinzas de Lanzarote, deu-nos a puente e, por causa dela, talvez se tenha esquecido de quem realmente somos.
terça-feira, agosto 07, 2007
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