No metropolitano, num destes dias, um casal de meia idade discutia entre dentes no banco mesmo à minha frente. Com um ar indignado ela chamava-o idiota por não ter pulso para lidar com o filho, fraco por não ter progredido profissionalmente como ambos almejariam. Ele irritado chamava-a, por sua vez, gastadora, preguiçosa e desatenta. Ambos se odiavam e estavam presos naquele casamento vazio. Saíram no Rossio e, quando me ia preparar para meditar de novo sobre as relações conjugais, olho de esguelha pela janela e, mesmo ao virar da esquina para subirem as escadas, reparo que deram as mãos.terça-feira, setembro 16, 2008
O diálogo
No metropolitano, num destes dias, um casal de meia idade discutia entre dentes no banco mesmo à minha frente. Com um ar indignado ela chamava-o idiota por não ter pulso para lidar com o filho, fraco por não ter progredido profissionalmente como ambos almejariam. Ele irritado chamava-a, por sua vez, gastadora, preguiçosa e desatenta. Ambos se odiavam e estavam presos naquele casamento vazio. Saíram no Rossio e, quando me ia preparar para meditar de novo sobre as relações conjugais, olho de esguelha pela janela e, mesmo ao virar da esquina para subirem as escadas, reparo que deram as mãos.segunda-feira, setembro 15, 2008
A minha primeira vez
Ontem fui uma das muitas mais de 75 mil pessoas que viram e ouviram Madonna em Lisboa. Pontual, apareceu sentada num trono condignamente enfeitado com um M (meio inicial, meio coroa). O que antecedeu este momento foram duas horas na fila para entrar, a busca incessante de um lugar para puder vê-la do tamanho do meu indicador, palhaçadas do grupo, uma Super Bock e um pacote de batatas fritas, uma semi-discussão com um malcriado macho (?) nortenho e várias tentativas de sentar na relva.O concerto foi bom. Muito bom, de facto. Falou português e perguntou se falávamos espanhol para percebermos a canção que ela ia cantar a seguir. Houve empatia, muito histerismo e eficácia. A verdadeira artista não é só a máquina de produção. Muita cor, uns geniais Keith Haring animados, uma “Isla Bonita” com sons romenos ,um “Like a Prayer” e um “Give it to Me” fabulosos, um “Ray of Light” electrónico desastroso. Um alerta para não “get stupid” com muita ecologia, consciência social e politiquice à americana. Um fabuloso “game over” sem nenhum encore.
Pena o desconforto, a multidão ansiosa, o zoom no mínimo, os 60 Euros e a absoluta certeza que ninguém, na organização, se preocupou muito comigo. Mas, lá está, para primeira vez não foi nada mau.
sexta-feira, setembro 12, 2008
A conquista
O café pela manhã é um hábito recuperado. O dia, por vezes, torna-se demasiado longo e, por isso, a noite demasiado curta. Vou beber café sempre ao mesmo sitio, passo no senhor das revistas, dou uma olhadela nas novidades, um bom dia, converso sobre o tempo e sobre o estado do mundo, viro a esquina e lá está ele, movimentado, limpinho, organizado, cheio de olás (já) familiares por detrás do balcão. Sento-me no lugar de sempre, folheio o jornal, cumprimento alguém, olho de esguelha para a Sic Notícias. Lá ao fundo está ele. De inicio sempre sentado, sereno indiscretamente olhando para tudo o que fazia. Depois um sorriso atrás do outro, passeios sem pretexto para se aproximar, para sorrir mais de perto. Por fim, hoje pela manhã, encostou-se à minha mesa, um livro à frente da chávena de café e disse “olá, sou o João, lês a mim uma história pequenina?” Ele conquistou-me, definitivamente. quinta-feira, setembro 11, 2008
segunda-feira, setembro 08, 2008
quarta-feira, setembro 03, 2008
Uma sugestão para os senhores metereologistas
quinta-feira, agosto 28, 2008
Changing
quarta-feira, agosto 27, 2008
Sem medida
Reparei que tudo nos faz crer que o amor é mensurável, a quantidade de beijos que se dá, o tamanho da cauda do vestido de noiva, o valor do presente de aniversário, o quilate do diamante incrustado, o número de vezes que o telefone toca. Há assim amores que se medem aos palmos, de palmo e meio, de meio palmo… Amores avessos à imensidão, à liberdade, às mãos abertas e ao sorriso franco. Amores que se esquecem no banco do autocarro, no papel de embrulho no lixo, numa chave abandonada na caixa do correio. Amores que nascem de um cartão de visita pomposo, de uma farsa encenada ao pormenor, da pintura cuidadosa de máscaras inúteis. Amores de que todos falam, medem, pesam, elogiam ou criticam, que espantam, desiludem, deslumbram. Sempre soube que não fui feita à medida para o amor mensurável, não cabe em mim, magoa-me nas esquinas, inunda-me os olhos, estrangula o coração. O outro, incondicional, imenso, raro, cabe na perfeição na palma de cada mão e faz-me sempre desmesuradamente feliz.segunda-feira, agosto 18, 2008
E nove meses (ou 40 semanas, ou 38 ou 42... entendam-se!) depois ...
Hoje descobri que só faltam cinco semanas para a sobrinha nascer. Correcção: podem faltar (pode nascer daqui a três semanas ou daqui a sete, se bem percebi a explicação técnica). Ainda não comprei a fatiota (a tia Ouriça tem de estar apresentável para causar uma boa primeira impressão) nem preparei o discurso que deverá ser curto (devido à ainda baixa capacidade de concentração), e evasivo (não lhe posso explicar já um monte de coisas que ela, de qualquer maneira nunca quereria saber, adiemos o momento então...) mas muito caloroso para perceber o quanto (já) dela tenho saudades!terça-feira, agosto 12, 2008
quinta-feira, agosto 07, 2008
Vá lá, admitam a minha República Autónoma também, vale a pena!
PETIÇÃO DA R.A.S.A. ÀS NAÇÕES UNIDASsexta-feira, agosto 01, 2008
Nem mais um artigo inconstitucional para os Açores
O nosso Presidente resolveu então pronunciar-se sobre questões relacionadas com os Açores, virando assim todo o seu discurso para preocupações de ordem internacional. Só não esclareceu se o Acordo Ortográfico também será ratificado por aquele país que já teve como língua oficial o português, logo a seguir à sua colonização, no séc. XV.quinta-feira, julho 31, 2008
quarta-feira, julho 30, 2008
terça-feira, julho 29, 2008
Origami instantâneo

sexta-feira, julho 25, 2008
terça-feira, julho 22, 2008
Ouriça vai à feira
Para acabar de gastar o meu subsídio de férias fui às compras ao jardim mesmo em frente à Câmara de Loures. Em boa hora, só pechinchas!Trouxe:
- Uma “Lui Vitón” legítima;
- Uma caçadeira de canos serrados semi-usada e certeira, oferta pack com munições para 50 (tentativas de) homicídios;
- Uma t-shirt “Dolxe i Gabana” a dizer Peace is Sexy;
- Dez gramas de cocaína (com alto teor de Ben-U-Ron) pelo preço de 6 (estamos em época de saldos);
- Um kit completo cigana (peruca, camisa e saia preta e base Helena Rubinstein com a tonalidade característica) para quando for discriminada puder usar o argumento da minoria ou, quando os juros da casa se tornarem incomportáveis, ser realojada onde eu quiser;
- Um agradecimento pessoal das autoridades por me ter, desta forma, solidarizado com o protesto.
Ah! E fiz amigos influentes... se precisarem de qualquer coisa (literalmente), já sabem, é só pedirem!
segunda-feira, julho 21, 2008
Tejo em delta
Este fim de semana fiz um belo jogging musical: palco 1 Ana Carolina, a correr, a correr, palco 2 Rita Red Shoes, a correr, a correr palco 1 Mariza, a correr, a correr, palco 2 Clã, a correr, a correr, ufa, palco 1 Adriana Calcanhotto!O sonho dos meus amigos é ter um GTI
não importa de que marca de que cor
sexta-feira, julho 18, 2008
Lembrete (pode ser que assim não me esqueça!)
terça-feira, julho 15, 2008
A bola que nos enrola

segunda-feira, julho 14, 2008
Descoberta

segunda-feira, junho 30, 2008
quinta-feira, junho 26, 2008
Elas (ou coisas que me irritam I)
Há coisas que me irritam. Fazendo assim contas de cabeça (e, confesso, não sou sua eximia fazedora) até são bastantes. Muitas. Mais precisamente bués. Esta é uma delas: repetidamente, num contexto absolutamente formal, de trabalho, sou apresentada a uns senhores de fato, que mandam em muitas coisas, e me cumprimentam olhando, numa primeira abordagem, para elas. Elas, esclareço, estão um palmo abaixo do meu pescoço, são duas, redondinhas, tapadinhas, mesmo no Verão, e sem vestígios de claustrofobia de tão apertadinhas que estão no soutien desde a nascença.O “muito gosto” ou “como está” acompanhado daquele olhar deixa-me sempre perplexa, sem resposta. De qualquer forma dá-la seria inútil. Afinal não estão, por certo, a falar comigo, não me ouviriam. Os meus olhos reviram-se, aperto a mão cordialmente e tento não tocar em nada antes do processo de descontaminação. E elas, obviamente, não lhes respondem porque neste corpinho está instaurada a ditadura do cérebro que, aqui para nós que ninguém nos lê, é um porta-voz que nem sempre se sai lá muito bem.
sexta-feira, junho 20, 2008
Indecisão
Programa para o fim de semana: Entre empurrar, com força (des)anímica, o autocarro da selecção nacional de regresso, ir à praia apanhar um carcinoma e filas enormes no percurso e assistir, com entusiasmo e pipocas, ao congresso de PSD, hum… que farei? Vou talvez apanhar um avião e explorar as grandes estepes siberianas à espera que este país, perdão, este verão passe!
quinta-feira, junho 12, 2008
Santo António casamenteiro

"Já fui casado por um juiz. Eu deveria ter pedido um júri." (George Burns)
"O casamento é a maneira de um homem descobrir que tipo de marido a sua mulher teria preferido." (Autor desconhecido)
"O único argumento real a favor do casamento é que ele continua a ser o melhor método para se conhecer alguém." (Heywood Braun)
"Em todo o caso, casai-vos. Se vos couber em sorte uma boa esposa, sereis felizes; se vos calhar uma má, tornar-vos-eis filósofos." (Sócrates)
“Casar-se uma vez é um dever, duas vezes é uma tolice, e três vezes uma loucura.”Provérbio holandês
sexta-feira, junho 06, 2008
quinta-feira, junho 05, 2008
Não, não estão a gozar!
Deixo-vos aqui algumas pérolas, aquando da tal experiência lectiva, que alguns dos meus amigos já conhecem, e riem sempre quando as repito. Estas são verdadeiras. Inacreditavelmente reais:
Acerca da explicação do mito em Filosofia, pedia-se para comentar uma frase da qual fazia parte a palavra “primórdios”. E descobri que “primórdios” era um povo primitivo que habitava a Grécia Antiga.
O aluno repita ciclicamente “Afonso Dom Henriques, Sancho Dom”, etc. E eu corrigia: Dom Afonso, D. Sancho, etc… Até que lhe perguntei o porquê daquela ordem. Respondeu-me que se tratava da família dos “Dom” e por isso o apelido ia sempre depois do nome.
Quando pedido para comentar o provérbio oriental “não lhe dês um peixe, ensina-o a pescar” houve uma séria e convicta dissertação sobre pesca.
Sócrates e Kant eram amigos e discursavam alternadamente no agora (na Ágora, portanto) lá na Grécia.
A Idade Média era denominada a Idade das Trevas porque ainda não tinham inventado a electricidade.
Na Inquisição os padres com o capuz branco de bico eram os maus, os outros, carecas (suponho que os jesuítas, não sei) tinham medo deles. Queimavam na fogueira as pessoas para não terem trabalho a enterrá-las.
Há muito mais… mas não vos quero continuar a torturar.
Deixo só a nota que de que estamos a falar de uma parte significativa de uma geração desinteressada, alienada e sem o mínimo sentido de curiosidade e que, ainda assim, passa nos exames finais do secundário com 10,11. Incrível!
quarta-feira, junho 04, 2008
Estão a gozar, certo?
Depois da minha experiência lectiva (dando explicações para provas finais do 12º ano de história e de filosofia), ainda não acredito que estas frases (com erros ortográficos e tudo)- compilação dos disparates dos alunos portugueses do secundário - sejam reais.*O cérebro humano tem dois lados, um para vigiar o outro.*
segunda-feira, junho 02, 2008
A anti-estrela
terça-feira, maio 27, 2008
segunda-feira, maio 19, 2008
Confusão
quinta-feira, maio 15, 2008
O choque moral-ó-lógico

Justificações apresentadas:
Não sabia que era proibido;
Não sabia que estava a violar a Constituição;
De tanta culpa sentida pelo lapso vai deixar de fumar.
Pessoa 1 apanhada a fugir aos impostos pela DGCI.
Justificações apresentadas:
Não sabia que era proibido;
Não sabia que estava a violar a Constituição;
De tanta culpa sentida pelo lapso, para o ano vai fugir um bocadinho menos.
Pessoa 2 apanhada a gamar uma carteira a um “bife” no turístico eléctrico 28.
Justificações apresentadas:
Não sabia que era proibido;
Não sabia que estava a violar a Constituição;
De tanta culpa sentida pelo lapso, para a próxima vai escolher um outro “bife” com ar de quem precise menos do dinheiro.
Pessoa 3 apanhada na A1 a 220 Kms/hora.
Justificações apresentadas:
Não sabia que era proibido;
Não sabia que estava a violar a Constituição;
De tanta culpa sentida pelo lapso, vai comprar um detector de radares.
Vêem? Funciona!
Coisificação

Turistas portugueses, espanhóis e italianos
Vamos pôr as coisas desta maneira: como pode ser estimulante dormir com uma criança? Como pode ser estimulante dormir com essa criança sabendo que ela precisa dos euros desse “aluguer” para a própria sobrevivência e da família? No turismo sexual não falemos de perversão, nem de nenhuma doença psiquiátrica, falemos de “coisificação” de extractos sociais inferiores, de xenofobia utilitária, falemos, por fim, do mais puro e absoluto egoísmo.
segunda-feira, maio 12, 2008
Oremos

segunda-feira, abril 28, 2008
Sobre um pequeno pormenor chamado liberdade

quarta-feira, abril 23, 2008
Definição
Fico admirado quando alguém, por acaso e quase sempre que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer.
O pardal

quinta-feira, abril 17, 2008
segunda-feira, abril 14, 2008
A citação
quinta-feira, abril 10, 2008
Acordamos

Acordamos e temos trinta e tal, e muitos. Rumamos numa carrinha, último modelo, a nossa casa, quase em Lisboa, num condomínio privado, piscina e ginásio, dois lugares de garagem, excelentes acabamentos. No caminho destilamos, sem querer, o fel de sermos o oposto do que nos prometemos há quinze anos atrás. Adormecemos as crianças, adormecemos no respectivo lado da cama e sonhamos que não temos trinta e tal, e muitos, que não temos carrinhas último modelo, nem casas em condomínios, nem Visas gold, cremes adelgaçantes ou camisas de marca. Descalços na margem de um riacho, trocamos promessas de amor eterno e respiramos cada verso lido em voz alta.
Baseado na crónica do José Luís Peixoto
Hoje, na revista Visão
segunda-feira, abril 07, 2008
Povo que TE lavas no rio

sexta-feira, abril 04, 2008
Como lá diz o princípio básico da Psicologia:
Em Veneza descobri...
os clássicos....
e até mesmo os selvagens (falo do gato e não dos espargos, enfim)...




















