segunda-feira, junho 02, 2008

A anti-estrela


Chegou atrasada e disse “sorry I’am late” bem baixinho, muitas vezes. Tropeçou e não se importou. A Amy destroçada, drogada, rouca, bêbada, sem auto estima, ferida, doce, anti-estrela, frágil, simpática, “friendly” conseguiu, entre a Ivete e o Lenny, fazer-se ouvir tanto...

terça-feira, maio 27, 2008

segunda-feira, maio 19, 2008

Confusão


Ouvia pela manhã aqui no Departamento,

“Telefonei para o senhor da informática e ele disse-me que a password deste programa nunca aspira!”

Se a password aspirasse com desembaraço, e não expirasse, levava-a lá para casa, sempre poupava algum dinheiro com a empregada doméstica.

quinta-feira, maio 15, 2008

O choque moral-ó-lógico


Sócrates”apanhado” a fumar no voo Lisboa- Caracas .
Justificações apresentadas:
Não sabia que era proibido;
Não sabia que estava a violar a Constituição;
De tanta culpa sentida pelo lapso vai deixar de fumar.


Pessoa 1 apanhada a fugir aos impostos pela DGCI.
Justificações apresentadas:
Não sabia que era proibido;
Não sabia que estava a violar a Constituição;
De tanta culpa sentida pelo lapso, para o ano vai fugir um bocadinho menos
.

Pessoa 2 apanhada a gamar uma carteira a um “bife” no turístico eléctrico 28.
Justificações apresentadas:
Não sabia que era proibido;
Não sabia que estava a violar a Constituição;
De tanta culpa sentida pelo lapso, para a próxima vai escolher um outro “bife” com ar de quem precise menos do dinheiro.


Pessoa 3 apanhada na A1 a 220 Kms/hora.
Justificações apresentadas:
Não sabia que era proibido;
Não sabia que estava a violar a Constituição;
De tanta culpa sentida pelo lapso, vai comprar um detector de radares.

Vêem? Funciona!

Coisificação


“Brasil – Prostituição infantil no Paraíso.
Turistas portugueses, espanhóis e italianos
são os principais clientes de um negócio que
envolve milhares de crianças e adolescentes.”

in revista Visão, hoje

Vamos pôr as coisas desta maneira: como pode ser estimulante dormir com uma criança? Como pode ser estimulante dormir com essa criança sabendo que ela precisa dos euros desse “aluguer” para a própria sobrevivência e da família? No turismo sexual não falemos de perversão, nem de nenhuma doença psiquiátrica, falemos de “coisificação” de extractos sociais inferiores, de xenofobia utilitária, falemos, por fim, do mais puro e absoluto egoísmo.

segunda-feira, maio 12, 2008

Oremos


Livrai-me, Senhor
De tudo o que for
Vazio de amor.
Que nunca me espere
Quem bem me não quer
(Homem ou mulher).
Livrai-me também
De quem me detém
E graça não tem,
E mais de quem não
Possui nem um grão
De imaginação.


Carlos Queirós, "Libera Me"

(retirado de um blog de que gosto muito, ela que me desculpe...)

segunda-feira, abril 28, 2008

quarta-feira, abril 23, 2008

Definição

Fico admirado quando alguém, por acaso e quase sempre
sem motivo, me diz que não sabe o que é o amor.
Eu sei exactamente o que é o amor. o amor é saber
que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer.
O amor é saber que vamos perdoar tudo a essa parte
de nós que não é nossa. o amor é sermos fracos.
O amor é ter medo e querer morrer.


In “A Criança Em Ruínas”, José Luís Peixoto

O pardal


Aluguei este fim-de-semana "La Vie en Rose" e fiquei estarrecida. Por tudo: pela vida da Piaf , que começou sem nada e perdeu tudo excepto a sua capacidade de amar, pelo tempo que corre nesta narrativa, os pontos que ligam a vida e a morte, a felicidade e a dor, pela Marion Cottillard que não sei de onde apareceu para ganhar todos os prémios. Quanto a este filme vos digo mesmo que “je ne regrette rien…”.

segunda-feira, abril 14, 2008

A citação

Pela manhã ouvi logo, num discurso elaborado, uma série de alarvidades sustentadas em argumentos que poderiam fazer corar de vergonha qualquer amiba - chamemos-lhe efeito MM, que até está a ser julgado e tudo...
Como protesto aqui fica uma citação do sábio (?!!!!) presidente Lula que ainda deixará como legado ao mundo, no mínimo, um livro de aforismos.

quinta-feira, abril 10, 2008

Acordamos


Acordamos e temos trinta e tal, e muitos. Rumamos, numa carrinha, último modelo, ao monte de um colega de trabalho ou de um “casal amigo” no Alentejo. É o tempo das carrinhas familiares, dos “casais amigos”, dos filhos pequenos e barulhentos, das mulheres já com algumas enxaquecas. Ao volante olhamos de esguelha para a barriguinha e pomos os óculos escuros, de marca, que tudo disfarçam, até a careca. Há choros e gritos no banco traseiro. Há choros e gritos no quarto ao lado, no berço ali ao fundo. Na cama há um silêncio sepulcral interrompido pelo avisos clássicos do “estás a ressonar” e do “chega-te um bocadinho para lá”. Vamos então na carrinha, último modelo, no DVD o Noddy e no rádio, muito baixinho, os violinos de Mozart que há dez anos atrás eram ouvidos em stereo. Chegámos, fomos os últimos, a culpa não é da carrinha, último modelo, a culpa é dela que não se despacha porque as sandálias têm de condizer com o cinto e com o carrinho da mais nova. Para mim qualquer camisa que se veja a marca está boa. Chegámos então. Aos trinta e tal, trinta e muitos. Chegámos à casa de fim-de-semana dos colegas de trabalho, dos “casais amigos”. Lá estavam eles, os amigos, os casais amigos, os casais amigos dos casais amigos. Alguns indolentes no alpendre olhavam o verde, faziam as contas de quanto teria custado aquele sofá de exterior, estrutura em teka. Outros preparavam a mesa com o que trouxeram das respectivas lojas gourmet mais próximas. Dois deles tinham uma camisa de marca igual à minha o que me trouxe algum conforto. Deliciámo-nos com a remodelação do monte, com conjunto de teka e com petisco gourmet. Comparámos os empregos, os filhos, as mulheres, as roupas, os restaurantes, as férias, os metros quadrados dos apartamentos. Comparámos ainda as festas de casamento, os automóveis, discutimos hidromassagens, empregadas, spas, ginásios, melhores sítios para fazer festas de aniversário de criança. Respirámos fundo porque os pratos não eram de plástico e elas tiveram de ir lavar e arrumar tudo. Ficámos, como os nossos pais, como os nossos avós, com tempo livre delas e elas com tempo livre de nós. Por esta altura, quase ao pôr-do-sol, com o barulho de fundo das crianças entrámos em confidências, medimos virilidades, trocámos dicas, prometemos favores. Despedimo-nos efusivamente. Combinámos outros petiscos, fins-de-semana, viagens, até golf.
Acordamos e temos trinta e tal, e muitos. Rumamos numa carrinha, último modelo, a nossa casa, quase em Lisboa, num condomínio privado, piscina e ginásio, dois lugares de garagem, excelentes acabamentos. No caminho destilamos, sem querer, o fel de sermos o oposto do que nos prometemos há quinze anos atrás. Adormecemos as crianças, adormecemos no respectivo lado da cama e sonhamos que não temos trinta e tal, e muitos, que não temos carrinhas último modelo, nem casas em condomínios, nem Visas gold, cremes adelgaçantes ou camisas de marca. Descalços na margem de um riacho, trocamos promessas de amor eterno e respiramos cada verso lido em voz alta.


Baseado na crónica do José Luís Peixoto
Hoje, na revista Visão

segunda-feira, abril 07, 2008

Povo que TE lavas no rio


Começou a época SOS nariz. Andar nos transportes públicos de Abril a Outubro é um inferno para o olfacto. Meu povo, há água corrente nesta cidade, há muitos estendais para arejar as vestes diárias, muito parapeito para pôr os ténis com chulé, muito balneário público, muita fonte de água fresquinha. A bem da sanidade olfactiva dos lavadinhos desta Lisboa.

sexta-feira, abril 04, 2008

Como lá diz o princípio básico da Psicologia:

Só devemos falar com os outros na linguagem que eles entendem.

E, pelo que encontrei numa encomenda que recebi hoje, há quem já tenha descoberto a que eu falo fluentemente...
(não percebi a validade da campanha mas temos de falar sobre o assunto).

Em Veneza descobri...


os clássicos....



os pops...
os deliciosos...



e até mesmo os selvagens (falo do gato e não dos espargos, enfim)...



segunda-feira, março 24, 2008

Amor (também) em tempos de cólera

As razões porque sempre gostei do Florentino Ariza:

É persistente;
Sabe o que quer;
É delicado e culto;
Gosta assumida mas discretamente de sexo – elaborando uma fabulosa e extensa lista das amantes;
Não é egoísta;
É fiel e constante;
Sabe amar.

Comendo trabalhando



Para aumentar a produtividade dos portugueses...

Ah a Páscoa...


A Páscoa não é, definitivamente, uma altura esclarecedora. Se não vejamos, entre outras coisas acredita-se que os coelhos põem ovos com gema de amêndoa ou de chocolate, Jesus morre e volta a viver, não contente com isso ascende aos céus sem recorrer à Nasa (isto tudo aconteceu à 1975 anos). Os portugueses, contrariamente, regressam à “terra”, nesse percurso têm instintos suicidas e homicidas na estrada porque acreditam, talvez, que a fé salva. Esclarecidos?!

segunda-feira, março 17, 2008

A postura da moda


E eu sou uma criatura assumidamente demodé e mesmo mesmo mesmo a precisar de umas belas férias!

quarta-feira, março 12, 2008

Pedido à Sra. Ministra da Saúde:

Isto dada a insanidade institucional vigente que me tem rodeado nos últimos tempos!

quarta-feira, março 05, 2008

Pura ficção ou um post que revela uma suposta consciência política

Ando a acompanhar as eleições presidenciais americanas, quanto mais não seja porque dei-me ao trabalho de rever todo o sistema político – que amaluca qualquer um. Podem pensar que não tenho mais nada que fazer (até tenho mas adio…) ou que me passei de vez (em análise…) mas isto de se eleger um democrata preto ou do sexo feminino interessa-me, sobretudo porque nestes casos a ficção ganha espaço à realidade: quem não viu filmes hollywoodescos ou séries patrióticas em que o presidente assim era? O meu coração pende para o Obama mas a razão para a Clinton. Contudo depois de ler isto ( http://www.ipri.pt/investigadores/artigo.php?idi=5&ida=318) tudo mudou…

segunda-feira, março 03, 2008

Lost and found

Seis da tarde. Chegadas no aeroporto de Lisboa. No ar paira a ansiedade, há um burburinho a felicidade em todos os sorrisos, beijos e abraços. No telefone uma mensagem apressada“Sorry, I lost my connection from Madrid...” Sorrio, já a caminho de casa, e respondo “No you don’t”.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Aviso




"Em todo o caso, tome as suas precauções: precisa de adorar as sereias, mas prenda-se ao navio".


Agostinho da Silva

terça-feira, fevereiro 26, 2008

A pureza de Juno


You're a part time lover and a full time friend
The monkey on you're back is the latest trend
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you

I kiss you on the brain in the shadow of a train
I kiss you all starry eyed, my body's swinging from side to side
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you

Here is the church and here is the steeple
We sure are cute for two ugly people
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you

The pebbles forgive me, the trees forgive me
So why can't, you forgive me?
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you

I will find my nitch in your car
With my mp3 DVD rumple-packed guitar
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you

Du du du du du du dudu
Du du du du du du dudu
Du du du du du du dudu du

Up up down down left right left right B A start
Just because we use cheats doesn't mean we're not smart
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you

You are always trying to keep it real
I'm in love with how you feel
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you

We both have shiny happy fits of rage
You want more fans, I want more stage
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you

Don Quixote was a steel driving man.
My name is Adam I'm your biggest fan
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you

Squinched up your face and did a dance
You shook a little turd out of the bottom of your pants
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you

Du du du du du du dudu
Du du du du du du dudu
Du du du du du du dudu du
But you

Visão


Seis da tarde. Fim do Inverno Lisboa a correr. Na esquina daquela rua movimentada, o átrio abandonado de uma antiga repartição pública era sua sala de estar, vista jardim. Mantas coloridas, cartões e um gorro protegem-no do frio, da tristeza protegem-no uma maçã enorme na mão esquerda, um livro de poesia de Blake na mão direita e um sorriso imenso por todas aquelas palavras.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Final feliz


Contrariamente ao esperado acho que era mais moderada quando adolescente. Aprendi que não se deve falar uma lingua que os outros não compreendem, há palavras que devem ser guardadas para quem nos sabe amar. Por isso sou a favor da implosão, da prisão perpétua, da expulsão, do não e do sim, do amor para toda a vida, da rejeição visceral, dos dias ensolarados e dos carregados de tempestade, do branco e do preto. No meio disto está tudo o resto, todos os ses e cinzentos do mundo, aos quais tendo a dar cada vez menos importância. Porque sempre que radicalizo o final é... feliz.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

A malta quer é cientístas para chegarem a estas conclusões.

Neste relatório alarmante da SEDES (saiu nos jornais ditos sérios deste país) no capítulo 4 ,"Criminalidade, insegurança e exageros"podemos encontrar isto:


"Para se ter uma noção objectiva da desproporção entre os riscos que a sociedade enfrenta e o empenho do Estado para os enfrentar, calculem-se as vítimas da última década originadas por problemas relacionados com bolas de Berlim, colheres de pau, ou similares e os decorrentes da criminalidade violenta ou da circulação rodoviária e confronte-se com o zelo que o Estado visivelmente lhes dedicou.”




Não estou preocupada com as colheres de pau nem com as bolas de berlim, vá, são ambos típicos e cada um faz com eles o que bem entender (espera, agora há a ASAE...) cá dentro do nosso Portugal e depois, se for sua vítima, aguenta-se à bomboca. Já "os similares" deixam-me apreensiva (pode ser a tal bomboca um exemplo?), aliás como todos os conceitos vagos e indeterminados em contexto científico (logo extremamente sério).


Contributo para um guião consistente


Há anos que digo isto mas a verdade é que ainda não vi em nenhum guião (se calhar há razões para isso):
A cena passa-se num quarto de um casal. Ele (é o clássico, as mulheres são muito mais cuidadosas) levou a amante para o “sacrossanto leito conjugal” e estão na pinocada. De repente a mulher traída chega mais cedo a casa, abre a porta do seu quarto e apanha o respectivo com a boca na botija (sendo que botija, neste caso poderia ser muita coisa… e talvez boca também). Ele, na última tentativa de se desculpar, diz aquela frase clássica e estúpida perante o ar surpreendido da esposa: “Querida, isto não é o que parece!”. Aqui vem a inovação: a esposa, rapariga de humor aprimorado e nervos de aço, e diga-se de passagem mortinha por se ver livre dele, pousa a malita no chão, senta-se na banqueta aos pés da cama e diz: “Claro, então explica-me calmamente o que é e o que parece, para ver se concordamos”. O restante guião não envolve nenhuma ménage a trois, é só um diálogo a la W. Allen.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Imprevistos

"Não faço planos para a vida para não atrapalhar os planos que a vida tem para mim".

(Agostinho da Silva)

Passar pelas brasas

Ontem estava sentada no sofá, algures entre as 8 e a 9 da noite ouvi o Ricardo e o Nicolau a dizerem “Boa noite senhor primeiro-ministro” (não escrevo com maiúscula não). Diz que é não sei quê do psicossomático, é sim senhor pois, e então depois destas palavras mágicas adormeci profundamente (não no sentido metafórico) e acordei na parte em que perguntavam se se ia recandidatar para o ano. Foi estrategicamente evasivo. Ainda há esperança…

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

É lindo!


Neste fim-de-semana não fiz muita coisa que jeito tivesse. Entre leituras e ócio em estado puro vi este filme “Pele Misteriosa” - devem conseguir alugar - de um realizador americano chamado Gregg Araki, etiquetado como o Almodovar americano. Frases feitas à parte, o filme conta a história de duas crianças, Neil e Brian, vítimas e sobreviventes, que se reencontram mais tarde para encaixarem as peças de um puzzle de violência e poesia, para descobrirem o sentido das suas fugas desde a infância. Resumidamente e sem floreados: é lindo!

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Proibido fazer comentários


Há dias em que não apetece pensar, fazer, dizer, escrever nada de jeito. São dias como hoje em que, no ranking das maravilhas do mundo, sinto-me empatada com o Tonhão.

Uma medida sensata.


segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Cal


É um livro sobre velhos. Contos de velhos alguns cheios de esperança, apaixonados, novos e sábios, outros tristes, inadaptados, inconformados com a condição de serem velhos. Não há lamúrias, nem moral nestes contos e nestes poemas, há pessoas velhas, há o relembrar de que são pessoas em todas as suas dimensões apesar de irem já além dos setenta. São histórias de pessoas simples que vivem simplesmente na sua condição, que sabem muito mas que pouco podem dar. E nós, distraídos leitores, acabamos por receber. Muito. O Peixoto fez-nos esse favor.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Não é costume "postar" o que me enviam, mas este não resisti...


Alevantar - O acto de levantar com convicção, com o ar de 'a mim ninguém me come por parvo!... alevantei-me e fui-me embora!'.
Amandar - O acto de atirar com força: 'O guarda-redes amandou a bola para bem longe'
Aspergic - Medicamento português que mistura Aspegic com Aspirina.
Assentar - O acto de sentar, só que com muita força, como fosse um tijolo a cair no cimento.
Capom - Porta de motor de carros que quando se fecha faz POM!
Destrocar - Trocar várias vezes a mesma nota até ficarmos com a mesma.
Disvorciada - Mulher que se diz por aí que se vai divorciar.
É assim... - Talvez a maior evolução da língua portuguesa. Termo que não quer dizer nada e não serve para nada. Deve ser colocado no início de qualquer frase. Muito utilizado por jornalistas e intelectuais.
Entropeçar - Tropeçar duas vezes seguidas.
Êros - Moeda alternativa ao Euro, adoptada por alguns portugueses.
Falastes, dissestes... - Articulação na 4ª pessoa do singular. Ex.: eu falei, tu falaste, ele falou, tu falastes
Fracturação - O resultado da soma do consumo de clientes em qualquer casa comercial.Casa que não fractura... não predura.
Há-des - Verbo 'haver' na 2ª pessoa do singular: 'Eu hei-de cá vir um dia; tu há-des cá vir um dia...'
Inclusiver - Forma de expressar que percebemos de um assunto. E digo mais: eu inclusiver acho esta palavra muita gira.Também existe a variante "Inclusivel".
- A forma mais prática de articular a palavra MEU e dar um ar afro à língua portuguesa, como 'bué' ou 'maning'. Ex.: Atão mô, tudo bem?
Nha - Assim como Mô, é a forma mais prática de articular a palavra MINHA.Para quê perder tempo, não é? Fica sempre bem dizer 'Nha Mãe' e é uma poupança extraordinária.
Númaro - Também com a vertente "númbaro". Já está na Assembleia da Repúblicauma proposta de lei para se deixar de utilizar a palavra NÚMERO, aqual está em claro desuso. Por mim, acho um bom númaro!
Parteleira - Local ideal para guardar os livros de Protuguês do tempo da escola.
Perssunal - O contrário de amador. Muito utilizado por jogadores de futebol. Ex.: 'Sou perssunal de futebol'. Dica: deve ser articulada de forma rápida.
Pitaxio - Aperitivo da classe do 'mindoím'.
ProntusUsar o mais possível. É só dar vontade e podemos sempre soltar um 'prontus'! Fica sempre bem.
Quaise - Também é uma palavra muito apreciada pelos nossos pseudo-intelectuais...Ainda não percebi muito bem o quer dizer, mas o problema deve ser meu.
Stander - Local de venda. A forma mais famosa é, sem dúvida, o 'stander' de automóveis.
O "stander" é um dos grandes clássicos do "português da cromagem"...
Tipo - Juntamente com o 'É assim', faz parte das grandes evoluções da língua portuguesa. Também sem querer dizer nada, e não servindo para nada, pode ser usado quando se quiser, porque nunca está errado, nem certo. É assim... tipo, tás a ver?
Treuze - Palavras para quê? Todos nós conhecemos o númaro treuze.

O preço da dor

Ainda dizem que a violência doméstica é gratuita. Mentira. O Hospital de Braga cobra por cada consulta, específica para estes casos, mais de cem euros.


sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Absurdo



O Carnaval dá-me nervos.
Hoje pela manhã na sala de espera de um consultório médico descobri, na televisão ligada altíssimo, que a melhor máscara de Carnaval do Manuel Luís Goucha foi de “mesa de chá”(?!). Depois disto, e do Sócrates se ter mascarado de “engenheiro de modelitos monocromáticos”, eu cá acho que vou aderir à moda do absurdo e vou mascarar-me de tigre fugido do Circo Chen, na ânsia de que me dopem devidamente aquando da captura para só acordar na quarta feira de cinzas.
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Alergia


Nota-se a sua tentativa de demarcação neste ponto específico blá, blá, blá”, faço mais espirais com a caneta – agora, felizmente, já de dentro para fora – e recordo o novo perfil do super-funcionário-público, tão apregoado no último ano: as palavras inteligência, formação, dinâmica, iniciativa estavam algures nessa descrição plastificada pelo glamour da modernidade. No final de desenhar um campo relvado cheio de florzinhas, todas coloridas na minha cabeça, regresso ao “blá, blá blá” e constato que afinal, e se calhar, não é bem isso que querem. Subitamente uma imensa vontade de espirrar. O pólen dá-me cá uma alergia…

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Tento empurrar-te de cima do poema


Tento empurrar-te de cima do poema
para não o estragar na emoção de ti:
olhos semi-cerrados, em precauções de tempo
a sonhá-lo de longe, todo livre sem ti.

Dele ausento os teus olhos, sorriso, boca, olhar:
tudo coisas de ti, mas coisas de partir...
E o meu alarme nasce: e se morreste aí,
no meio de chão sem texto que é ausente de ti?

E se já não respiras? Se eu não te vejo mais
por te querer empurrar, lírica de emoção?
E o meu pânico cresce: se tu não estiveres lá?
E se tu não estiveres onde o poema está?

Faço eroticamente respiração contigo:
primeiro um advérbio, depois um adjectivo,
depois um verso todo em emoção e juras.
E termino contigo em cima do poema,
presente indicativo, artigos às escuras.

Ana Luísa Amaral

segunda-feira, janeiro 28, 2008

O Ano da Tia

Sempre cresci com poucas crianças em meu redor. Talvez seja por isso que gosto tanto delas. Talvez seja por isso que, sempre que vou ser tia (é raro), fico tão feliz. Este ano vão ser duas vezes (um record): uma no final de Abril e outra a meio de Setembro. Depois é deixar a “marinar” para quando estiverem mais apurados, para quando puder falar com eles, contar-lhes histórias e responder-lhes a todos os porquês (e são tantos). Fingir que os esclareço e ficar a ouvir tudo o que têm para me dizer, guardar-lhes para sempre aquela pureza.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Tropeçar...


… em qualquer parte, por e sem querer, no AMOR.


Love&Numbers – Robert Indiana

(em Lx até final de 02/08)

E quando me irritam...



Somos um país de analfabetos. Destes alguns não sabem ler.


Vergílio Ferreira

Última medida governamental para a Administração Pública


terça-feira, janeiro 22, 2008

Resistir ao zapping




Estar doente – deitada dias a fio sem conseguir fazer absolutamente nada, excepto zapping - faz com que descubramos coisas espantosas: os programas dos canais generalistas que têm início por volta das 10h e terminam algures antes do telejornal das 20h. O público-alvo é os idosos, as donas de casa e todos os que tenham o infortúnio de abrir a televisão. Pela manhã temos brejeirice, drama – numa semana houve testemunhos de quase todas as doenças raras que existem catalogadas – os fatos do Goucha – uma mistura perfeita de reposteiro do S. Carlos e de colcha de patchwork da minha avó – e… o Cláudio Ramos, para o qual não arranjo, ainda, adjectivos. De tarde temos a Júlia ensurdecedora, o João Baião e os seus pulos – surpreendentemente o mais (in) suportável – e … o José Castelo Branco que é pago a peso de ouro – estou certa – para demonstrar diariamente o quanto é burro e mal formado.
Agora que estamos na era das contas, contabilizemos quanto o Sistema Nacional de Saúde gasta no tratamento das depressões profundas que a programação televisiva diurna causa no seu público alvo, levando-os, estou certa, à absoluta apatia, à dependência de ben-u-ron para combater a constante dor de cabeça, às agressões inusitadas ao próximo. Se a tudo isto lhes juntarmos um “24 horas” e uma “Maria” tentativas desesperadas de suicídio aumentarão significativamente. Agora entendo os resistentes da Nação que passeiam compulsivamente de autocarro com o seu passe-idoso, o luxo permitido, as que tomam chá, tarde atrás de tarde, com as amigas de sempre no café da esquina ou os que organizam entusiasticamente campeonatos diários de sueca nos jardins da cidade. Para eles toda a minha admiração.

terça-feira, janeiro 08, 2008

Perfeita Escolha

"Chiça, já não tenho tinta na caneta, lá vou ter de escrever com a vida."
Luiz Pacheco