
quarta-feira, setembro 26, 2007
terça-feira, setembro 25, 2007
Ode a um amor perfeito
Queria dar-te. Quase tudo. Carinho, frases, lugares que desconheces mas que já gostas, presentes de criança… Queria dar-me porque sei que sabes receber, tiras o papel com cuidado e guardas-me aí dentro como se de um precioso tesouro se tratasse.Queria desenhar em nós horas que são sonhos, sorrisos que são “estórias” de encantar e mãos que têm na ponta dos dedos dias de sol ou de chuva.
Queria que me adivinhasses em cada gesto e que deixasses escrever-te em cada linha.
Queria que morasses em mim como a esperança de encontrar quem me sabe de cor. Queria, por fim, depois da tempestade, ter a coragem de não fazer a mala à pressa e partir, de ficar e dar-te os meus livros, os meus filmes, as minhas memórias, os meus amigos… de ficar a embalar todas as tuas dores e alegrias, adormeceres nos meus braços e eu adormecer-me em ti.
sexta-feira, setembro 21, 2007
Poesia matinal
Tenho o saudável hábito de todas as manhãs, durante a semana, ouvir, quase quase em cima das nove, “Os Sinais” do Fernando Alves na TSF. Ouço-o por tudo, pela preocupação com o mundo, pela voz, pela sensibilidade, com a qual me identifico, e sobretudo porque, quando for grande, gostava muito de escrever como ele. Hoje narrava Fernando a história de um pobre camponês na Baía, Brasil que se deslocara ao Planalto, andando quatro dias sem comer, para que Lula o socorresse da falta de tudo a que sempre fora vetado. Do tudo que seria, para muitos de nós, tão pouca coisa: uns trocados, cuidados de saude, carinho. É esta poesia, uma vezes doce outras cortante, demolidora mas sempre real, é esta pureza matinal que me faz sair de casa, enfrentar uma cidade barulhenta, um dia agitado com um sorriso imenso na alma. terça-feira, setembro 18, 2007
segunda-feira, setembro 17, 2007
Estou na minha fase de indignação (já passa...).

Sócrates está nos EUA. Vai ser recebido uma hora pelo Presidente Bush: 55 minutos na qualidade de líder da Presidência da U.E., 5 minutos na qualidade de Primeiro Ministro de Portugal.
Dirá que Bush é bem vindo a Portugal. Ele que venha. Qualquer grupo terrorista (com métodos não suicidas) informado saberá que aqui compensa fazer um atentado como deve de ser: a coordenação policial apadrinha, o novo Código do Processo Penal abençoa.
sexta-feira, setembro 14, 2007
quinta-feira, setembro 13, 2007
David

Sobre ele não sei muito. Sei sobre o que defende e porque defende. Leio com atenção desde alguns anos o que diz pelo mundo. Ontem, quando um jornalista lhe perguntava porque tinha vindo a Portugal ele respondeu, como se estivesse a falar com um amigo de sempre, longe de qualquer máquina de marketing, que lhe enviaram dinheiro para a viagem e por essa razão ali estava. Tipo fixe, pensei. Sem preconceito de falar no material, sem discursos elaborados sobre os Direitos Humanos (de quem todos falam mas que poucos vêem) dizendo o que lhe dá na real gana, borrifando-se para os Golias que o esperam em quase todo o lado. Respeito-lhe a “Sua Santidade” porque me parece mesmo um tipo sábio, muito sábio... e fixe.
segunda-feira, setembro 10, 2007
o escritor

Acabei de ver o Lobo Antunes. Entrou e sentou-se quase a meu lado. Partilhámos uma refeição. Senti-o respirar. Apoiou-se na cabeça várias vezes enquanto lia os jornais. Pesa-lhe o mundo. Pesam-lhe as memórias da guerra e todas as outras sobre as quais insistiu escrever. Está cansado o escritor. Está cansado de estar doente, do mundo estar doente, desse estado cosmicamente doentio. Está triste o escritor. Faltam-lhe aquelas palavras que não consegue encontrar, no meio de tantas outras, para o seu, teme, derradeiro livro. Sobreviveu a quase tudo, ao privilégio e à dureza, tem dúvidas se sobrevive a si. Indigna-se como o mundo contínua se, ali dentro, tudo está suspenso, pelo medo, pela incerteza. Tenta compensar o fim fictício do tabaco com mais jornais mas, malogrado esforço, não se consegue esquecer de si. Olha-me de soslaio, meio curioso, totalmente arrogante como lhe é característico. Mede-me para saber se caibo em alguma história, se sou parecida com alguma personagem. Pergunta-me se fumo. Finjo distracção e digo-lhe que não. Não me ajusto à sua narrativa concluiu. Mergulha de novo no mundo e em si e eu acarinho-o com o olhar enquanto pago a conta. O escritor retomou-se.
sexta-feira, setembro 07, 2007
Búzio

sei que nunca viste o oceano,
que nunca olhaste a onda sobre a onda,
que nunca fizeste castelos para o mar ser forte.
que nunca olhaste a onda sobre a onda,
que nunca fizeste castelos para o mar ser forte.
mas sei que já viste o coração das coisas,
que já tocaste a ferida nos nossos braços,
que já escreveste para sempre o nome da terra.
que já tocaste a ferida nos nossos braços,
que já escreveste para sempre o nome da terra.
por isso te digo que vou levar-te o mar
na concha das minhas mãos, azulíssimo,
para que nele descubras o meu nome
entre os seixos os búzios os rostos que já tive.
na concha das minhas mãos, azulíssimo,
para que nele descubras o meu nome
entre os seixos os búzios os rostos que já tive.
Vasco Gato, Um Mover de Mão
quinta-feira, setembro 06, 2007
quarta-feira, setembro 05, 2007
Humor islandês (leia-se o meu!) ou um brevissimo tratado sobre a proporcionalidade
segunda-feira, setembro 03, 2007
Puente
Passava eu, neste fim-de-semana, vinda de Espanha, a fronteira do Caia quando me deparo com a placa que dá nome à, quase imperceptível, ponte internacional sobre o rio Caia: Puente José Saramago. Fiquei surpreendida, confesso. O que nos une a Espanha afinal? Paralelismos com o PIB e com políticas sociais não são: Espanha acelerou há muito tempo rumo ao crescimento económico, com “superávits” pelo meio. A monarquia não os impediu de terem políticas progressistas ajustadas à realidade, não os impediu de colonizarem de novo o mundo, o mundo do consumo, mas o mundo. A cultura também não é: Espanha vibra, sem precisar de Berardos, absorvendo passado e presente, atenta à diversidade que também define a arte. O orgulho também não: exacerbado, por vezes, os espanhóis amam o seu país, dão-no a conhecer ao mundo apesar de todas as divisões.Sempre olhei para a fronteira com desconfiança porque acredito no bom senso popular e porque, como gosto muito de História, sei bem o que tivemos de fazer para existirmos enquanto país. A língua irrita-me ligeiramente. A comida faz-me azia. Nem dos caramelos com pinhão gosto muito.Mas estava eu a passar a puente Saramago para Portugal e lembrei-me da “Jangada de Pedra” que não tinha ponte nenhuma para o resto da Europa, navegava isolada em pleno Atlântico.”Vejo a Ibéria como a criação de um país novo” ecoa a entrevista ao Expresso desta semana. Não sei se por amor, por insanidade, por vingança política ou por tardia convicção. Lutou à sua maneira pela liberdade, escreveu, escreveu, escreveu, nesse escrever criou novas regras de pontuação, deu-nos o Nobel, deu-nos com os pés quando trocou o sol de Lisboa pelas cinzas de Lanzarote, deu-nos a puente e, por causa dela, talvez se tenha esquecido de quem realmente somos.
terça-feira, agosto 07, 2007
sexta-feira, julho 27, 2007
Poema em forma de delta
há rios que são navegáveis
e navegam. é desses que eu gosto.
Jorge de Sousa Braga
terça-feira, julho 24, 2007
A subjectividade do Romantismo

Num dia destes numa daquelas revistas cor de rosa, sempre tão hilariantes, vinha uma reportagem de umas quantas páginas sobre um casamento de famosos-muito-pouco-quase-nada-famosos. Além das discutíveis opções estéticas do vestido e do fato dos ditos a peça jornalística frisava que nas alianças, da marca que-nunca-ouvi-falar, estava inscrito a seguinte frase romântica:
Agarra-te aos meus lábios
Não sei se pelo excesso de trabalho ou pelos dias de chuva ou pela falta de um resort caribenho achei que a frase tinha um toque quase nada romântico. Podia ser perfeitamente um
Pendura-te no meu coração (o que daria uma certa sensação de pendura);
Estatela-te no meu olhar(mau porque podia magoar alguém);
Tropeça nas minhas orelhas (dependendo das ditas a queda podia ser grande);
Equilibra-te na minha bochecha fofinha ( um bocadinho egocêntrico e visualmente desagradável);
Escorrega na curva do meu queixo (radical no caso do chamado queixinho de bruxa);
Apanha banhos de sol na minha testa (bom, agora no verão).
Agarra-te aos meus lábios
Não sei se pelo excesso de trabalho ou pelos dias de chuva ou pela falta de um resort caribenho achei que a frase tinha um toque quase nada romântico. Podia ser perfeitamente um
Pendura-te no meu coração (o que daria uma certa sensação de pendura);
Estatela-te no meu olhar(mau porque podia magoar alguém);
Tropeça nas minhas orelhas (dependendo das ditas a queda podia ser grande);
Equilibra-te na minha bochecha fofinha ( um bocadinho egocêntrico e visualmente desagradável);
Escorrega na curva do meu queixo (radical no caso do chamado queixinho de bruxa);
Apanha banhos de sol na minha testa (bom, agora no verão).
É assim o Romantismo... às vezes custa muito percebê-lo quando vem publicado em pormenores, desapaixonadamente, quase sem querer, a bold, destaque quatro páginas.
quarta-feira, julho 18, 2007
Conversar sobre o tempo...

... que geralmente é o que se faz quando não há assunto. Não se preocupem. Eu tenho sempre assunto, hoje apetece-me mesmo é falar sobre o raio do tempo que não me tem deixado ir à praia como deve de ser! Se continuar assim vou passar o resto do Verão com o casaquito na mala e com o guarda chuva na cabeça! Parece que continuo, metereologicamente falando, nos Açores! (desculpem este post da treta mas isto anda-me MESMO a irritar!).
quinta-feira, julho 12, 2007
Nostalgia kitch

Lembro-me dos meus dias pavorosos de República Dominicana há alguns anos atrás: resort kitch supostamente integrado na “vegetação luxuriante” que se estende até ao mar, bebidas na piscina-bar (consistia num balcão e respectivos bancos fixos enfiados na dita) a partir das 11 da manhã, das aulas ensurdecedoras de qualquer coisa entre aeróbica e dança latino americana, das multi-actividades “estimulantes” como curso de mergulho numa piscina mínima ou o cortar as ondas (que não existiam) numa espécie de barco igual a uma banana gigante. Lembro-me ainda da lagosta com batatas fritas (argh!!!!!), dos gigolôs indígenas em tanga reduzida que acompanhavam as turistas do primeiro mundo já em plena decadência física mas no auge do vigor financeiro, da discoteca do caribe que estimulava ao absoluto ridículo. Lembro-me dos banhos às 07.00h da manhã na piscina junto ao bungalow quando todos dormiam e da areia meia escura, fria nos pés ainda do orvalho da noite. Lembro-me das milhentas bebidas afrodisíacas locais, que não tínhamos coragem de provar (vide episódio dos gigolôs), do amargo do cacau e da cascata virgem, em plena selva, enquadrada por um guia armado em D. Juan. Lembro-me de tudo isto e dou por mim, inacreditavelmente, a ter saudades.
quinta-feira, julho 05, 2007
Falta assim um bocadinho....
Este post não é feminista! (mas também não é feminino)

Devido aos milhentos contactos que tenho feito ultimamente, a propósito da Presidência Portuguesa da U.E, ando agradavelmente surpreendida com a quantidade de mulheres que andam por aí a ocupar, nas mais variadas instituições, lugares de relevo. Não sou a favor das quotas e similares, que fique claro, acho isso uma perversão da selecção natural. Contudo há uns anos atrás continuavam a sair aos magotes das faculdades mas (tirando para aí a Tatcher na vertente política mundial e a Padeira de Aljubarrota na vertente história de Portugal/ reality show medieval) as mulheres que ocupavam desde sempre os postos mais elevados eram as hospedeiras (seriamente ameaçadas pelos concorrentes comissários de bordo meios apaneleirados)!
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